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Em nota, Sarney lamenta morte de Alfonsín

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O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), lamentou a morte do ex-presidente argentino Raúl Alfonsín, ocorrida nesta terça-feira (31). Alfonsín sofria de câncer de pulmão. Ele tinha 82 anos.

 

Na década de 80, Alfonsín e Sarney ocuparam as presidências de seus países e assinaram acordos de integração. O mais importante, assinado em 1985, é a Declaração de Iguaçu, que resultou, anos mais tarde, na criação do Mercosul (leia reportagem do G1 sobre a morte de Alfonsín, com dados históricos).

 

 

Leia a seguir a íntegra da nota de Sarney:

 

“Declaração sobre Raúl Alfonsín
José Sarney

 

Sou tomado nesse momento por um duplo sentimento de perda: a do amigo e a do homem de Estado. Raúl Alfonsín foi, sem dúvida, uma das maiores figuras humanas que conheci, e foi também o homem que abriu, com sua coragem, a integração latino-americana.

 

Tudo que fizemos para inverter o processo histórico de hostilidade entre Brasil e Argentina, transformando-o num processo de integração não teria sido possível sem Alfonsín. Ele tinha a visão continental, a firmeza de convicção e a grandeza política para dar os passos decisivos.

 

Ele havia assumido a Presidência da Argentina pouco antes de o destino me colocar na Presidência do Brasil. Mas desde nosso primeiro encontro, em Iguaçu, transformamos nossa relação de chefes de Estado na relação de dois amigos, relação esta que se estendeu a nossas famílias. Grande conversador, homem de extraordinária cultura, era uma pessoa simples de um convívio ameno que imediatamente nos tornava cativo.

 

Sua coragem era enorme. Em Itaipu, que os militares argentinos tinham como um ponto de conflito, não hesitou em tomar a iniciativa de visitá-la e com este simples gesto desmontar toda a discussão sobre os danos que a usina poderia causar à Argentina. Mais tarde levou-me a Pilcaniyeu, a usina nuclear argentina, com a nossa equipe de cientistas. Eu o convidei para inaugurar a usina de Aramar, no Brasil, onde havíamos desenvolvido o processo de enriquecimento do urânio, e a abrimos aos cientistas argentinos.

 

Alfonsín é um exemplo de padrão ético, que com suas virtudes, firmeza e autoridade moral consolidou as instituições. Será sempre o exemplo do político honrado e de idéias de vanguarda.

 

Juntamente com Julio Sanguinetti, lutamos para restaurar a democracia em toda a América do Sul, e assim aconteceu, e a idéia generosa da integração que iniciamos é irreversível. Os desvios de nosso projeto serão superados e nossos filhos verão uma América do Sul integrada política, física, econômica e culturalmente.

 

Nesse momento Raúl Alfonsín será lembrado como o homem que tornou esse sonho possível.

 

E eu, que tive a felicidade ter com ele uma amizade profunda e duradoura, um dos orgulhos da minha vida, o lembrarei sempre, com os olhos úmidos e o coração apertado, mas sabendo que sua figura é maior que o tempo que viveu.”

G1

 

 

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