Sintomática a consulta do deputado federal Wilson Santiago sobre a criação de um novo partido. Mais sintomática ainda a informação de que ele estaria atendendo a pedido do colega Manoel Júnior que, assim como tantos outros socialistas ligados a Maranhão, está refém do PSB do prefeito Ricardo Coutinho.

Faz sentido e a resposta do TSE pode salvar meio-mundo de maranhistas que estão presos às leis de fidelidade partidária. Porque o desejo não se restringe apenas a Manoel Júnior, mas a vários outros socialistas candidatos nas eleições de 2010.

No mundo real, Júnior, Expedito Pereira, Nadja Palitot, Guilherme Almeida e tantos outros esperam uma “janela” da tão desejada reforma política para saírem do partido sem correr o risco de perderem os mandatos. Curiosamente, a lei de fidelidade partidária não pune pensamentos. Porque fosse assim estariam todos expulsos.

O fato é que, como já dissemos em colunas anteriores, há mais inimigos de Ricardo Coutinho dentro do PSB do que fora. Daí surge uma possibilidade: e se Maranhão estiver tramando para dar um golpe no prefeito via direção nacional do PSB?

Ora, não falta know-how para Maranhão, que já fez o mesmo com o PMDB em 1998. Nem para Ricardo, que já foi vítima de um quando foi obrigado a deixar o Partido dos Trabalhadores.

Vejamos, portanto, alguns sinais que têm cheiro de golpe. Maranhão assume o governo do Estado e, em poucos dias, dá um tratamento para o PSB digno de um pai prestimoso.

Sem consultar o prefeito, aumentou a bancada do partido na Assembléia com a convocação de Expedito Pereira, reservou uma secretaria de Estado para Guilherme Almeida e vem prestigiando de forma imoderada parlamentares como Manoel Júnior e Marcondes Gadelha com indicações de cargos, mas muito cargos, de terceiros e quarto escalões.

Diz-se que em meia hora de conversa com Manoel Júnior ou Leonardo Gadelha, por exemplo, é possível preencher dez laudas de Diário Oficial do Estado. Coisa que nem os peemedebistas têm conseguido.

Em poucas ações, está alimentando a simpatia de socialistas para si e incitando o ódio a Ricardo. O resultado disso é óbvio: esvaziamento do partido. Somente isso já poderia se configurar, por si só, um golpe branco.

Mas o perigo vai além. Imagine dois deputados federais, com assento e voto no Congresso Nacional, uma bancada de quatro deputados estaduais e ainda mais um “reca” de prefeitos do PSB dizendo à direção nacional do partido que vão sair da legenda por causa da “tirania” de Ricardo?

Imagine todos eles dizendo, numa só voz: o melhor candidato da legenda não é Ricardo, mas Maranhão que nos prestigia em seu governo, tem fortes chances de reeleição e ainda pode nos garantir uma vaga de vice-governador?
É preciso saber se Ricardo Coutinho está forte o bastante junto à direção nacional do PSB, leia-se Eduardo Campos, para evitar qualquer movimentação neste sentido.
De pronto, ele já leva uma desvantagem porque não é socialista histórico. Não nasceu nem foi criado no seio do PSB. Entrou depois de velho.

Por via das dúvidas, é melhor se cuidar. Dentro do PSB, o prefeito de João Pessoa pode, rapidamente, passar a ser caça e não mais caçador.
 

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