Por pbagora.com.br

 A presidente  Dilma Rousseff advertiu nesta terça-feira que bloquear estradas é um crime, ao ser perguntada sobre a greve iniciada ontem por caminhoneiros contra o alto custo dos fretes e o encarecimento dos combustíveis.

"Reivindicar, nesse país, é um direito de todo mundo. Reinvindicação, no Brasil, há muito tempo não é crime. Nós construímos a democracia para não ser crime. Agora, interditar estradas, comprometer a economia popular, desabastecendo com alimentos ou combustíveis, isso tem componentes de crime", afirmou Dilma.

Em declarações que concedeu a jornalistas durante a visita às obras de ampliação do metrô do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016, a governante alertou que a obstrução de rotas põe em risco o abastecimento da população.

"Obstruir é crime. Obstruir, afetar a economia popular é crime. Manifestar é algo absolutamente legal. É da democracia. É algo que faz bem ao pais e à democracia. (…) Todos nós somos obrigados a cumprir a lei, principalmente as pessoas que exercem a faculdade de cumprir a lei", completou.

A presidente justificou assim a decisão do governo de impor elevadas multas aos caminhoneiros que bloquearem as estradas e de autorizar à polícia a retirar à força tais veículos para que não interrompam o trânsito. Tais medidas fizeram com que a greve perdesse força esta terça-feira.

Os caminhoneiros em greve chegaram a realizar na segunda-feira manifestações ou bloqueios de vias em 43 trechos de estradas em 14 dos 27 estados brasileiros, enquanto hoje os protestos se reduziram a 34 trechos de rotas em nove estados, segundo o último boletim da Polícia Rodoviária Federal.

Além disso, enquanto na segunda-feira os caminhoneiros chegaram a bloquear totalmente importantes estradas federais, hoje promoveram bloqueios parciais, já que apenas impediram a circulação de outros caminhões.

A intensidade dos protestos se reduziu depois que o Ministério da Justiça anunciou que imporá multas de até R$ 1.915 aos caminhoneiros que bloqueiem as estradas e que tinha autorizado à polícia a retirar à força veículos que ameacem a livre circulação.

Os grevistas, que se dizem independentes dos sindicatos e foram convocados pelas redes sociais, protestam contra os altos impostos sobre o transporte e contra recentes aumentos dos preços dos combustíveis, mas os principais sindicatos do setor, que rejeitam a greve, asseguram que essas reivindicações não são suas, mas de grupos com interesses políticos.

Os caminhoneiros mais radicais asseguram que apenas suspenderão a greve com a renúncia de Dilma, a quem acusam de ter afundado o país em uma grave crise econômica e política.

O governo, que alega ter atendido todas as reivindicações dos caminhoneiros nas últimas negociações, assegura que a greve é pontual e acusa os organizadores de estar a serviço da oposição para gerar um "desgaste político".

O principal líder dos grevistas, Ivar Schmidt, admitiu que o objetivo inicial era pressionar Dilma, mas que, como a greve não obteve o apoio popular esperado, as reivindicações se limitarão às dos caminhoneiros.

"Nossa principal pauta era a renúncia de Dilma para que o povo se juntasse a nós, mas o povo não entendeu. Por isso vamos limitar as reivindicações às dos caminhoneiros", afirmou o dirigente em declarações a jornalistas.

Na sua visita às obras da linha 4 do metrô, que conectará a Zona Sul do Rio com Barra da Tijuca, bairro em que estão sendo construídos o parque e a vila olímpica, Dilma conversou com diferentes autoridades e felicitou alguns dos operários.

"Está tudo maravilhoso", disse a presidente sobre as estações subterrâneas e sobre a ponte estaiada que permitirá ao metrô passar sobre uma lagoa.

Terra

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