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Leilão na política: João Fernandes diz que a compra de votos ocorre em todos os partidos “inclusive no meu”

O fenômeno das grandes votações tem mostrado um outro lado da moeda: a distância entre os campeões de votos e os azarões da disputa. As explicações para o sucesso nas urnas, no entanto, segundo alguns dirigentes, inclusive de grandes partidos, vai bem além do carisma do postulante e de estruturas de campanha bem montadas. "Todos eles promovem a compra de voto", disparou o secretário-geral do PSDB, João Fernandes, sem excluir nem os colegas de partido.

O comentário, em tom de desabafo, foi feito pelo ex-deputado estadual e atual candidato a deputado federal ao analisar as reais possibilidades de eleição dos candidatos que não dispõem de recursos para realizar a campanha eleitoral. Segundo João Fernandes, a compra de votos é, sim, uma das armas eleitorais utilizadas pela maioria do candidatos detentores de grandes votações nas eleições para cargos proporcionais.

De acordo com o ex-deputado, tanto as legendas quanto as autoridades estariam cientes do que acontece a cadaeleição, mesmo assim, fazem "vista grossa" para as irregularidades. "É uma realidade do Brasil e também da Paraíba, mas ninguém faz nada para combater. Nenhum partido está isento, incluindo o meu", garante. Mesmo quando lembrado sobre sua condição dentro do PSDB, João Fernandes mostrou que não se sente intimidado pela posição. "Digo que falta fiscalização porque todos sabem que quem compra voto é quem tem recurso", alfineta.

João Fernandes diz que as legendas sabem das irregularidades, mas "fazem vista grossa" para o crime eleitoral Foto: Reprodução Para o procurador Regional Eleitoral, Werton Magalhães, essas declarações são graves, mas ainda não chegaram ao conhecimento do Ministério Público Eleitoral (MPE). De acordo com o procurador, pelo menos por enquanto, o órgão não recebeu nenhuma denúncia formal sobre compra de votos nas eleições deste ano. Mesmo assim, Magalhães lembrou que o órgão atua no combate ao crime eleitoral por meio de campanhas, como a que está sendo conduzida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Além disso, o MPE fiscaliza a atuação dos candidatos neste período. "Estamos abertos para receber qualquer denúnciaeleitoral, incluindo a compra de votos", lembra o procurador.

Ainda sobre os andamentos dessa campanha eleitoral, João Fernandes se mostrou bastante decepcionado com os últimos acontecimentos. O motivo é que ele chegou a ser incluído pelo próprio Ministério Público Eleitoral na lista de gestores que tiveram contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Durante o julgamento pela Corte, foi aceita a defesa de que o candidato havia sido confundido com um homônimo e o postulante teve a candidatura deferida. Agora, Fernandes diz que falta empolgação para explicar a confusão aos eleitores. Ele também ainda não decidiu se abrirá processo contra o MPE.

Outro problema apontado pelo ex-deputado refere-se a disputa que ele considera desigual nos gastos de campanha e que contribuiriam para a vitória de alguns candidatos. "É muito difícil fazer campanha desse jeito", lamenta. Perguntado se há um sentimento de desgosto com o partido, Fernandes afirmou que "não há mais companheirismo" entre os aliados na disputa. Com informações de Onorte.

Redação com 24horaspb

 

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