As pessoas reagem de forma diferente às mesmas situações. Depende do temperamento, do pavio (longo ou curto), da sua interpretação dos fatos, da capacidade de absorver a adversidade.

    Jackson Lago e Cássio Cunha Lima, por exemplo. Os dois ex-governadores do Maranhão e Paraíba, respectivamente, foram cassados pelo TSE. Cássio reagiu recolhendo-se, evitando multidões e imprensa, sequer bate de frente com José Maranhão, que lhe tomou o governo no tapetão. Já Lago preferiu o outro extremo: num inconformismo afetado, entrincheirou-se com a família e amigos no Palácio e disse que dali não sai, dali ninguém lhe tira.

    Cássio, ao contrário, quer ficar ainda mais longe de confusão e dos holofotes e anuncia viagem aos Estados Unidos, deixando os aliados desesperados, agoniados ou até mesmo irados. A política aqui pega fogo e o líder dos tucanos resolve deixar o país para se reciclar. Assim, na boa.

    Lago ainda tem muito a aprontar e ninguém pense que, após deixar o Palácio, ele vai sossegar. O maranhense não dará um minuto sequer de sossego à governadora Roseana Sarney, nada passará despercebido por ele, tudo será motivo de muita zoada. Vai se manter na mídia o tempo todo, será o principal fiscal do novo governo e resistirá bravamente em meio às ruínas. Sua meta é reconstruir, pedra por pedra, o que desabou. Pacientemente. Mas, também, ruidosamente.

    Acho que Lago exagera com essa história de entrincheirar-se no Palácio. Gera notícia, jornalista adora esses bafafás, mas o fato é que ele vai ter que sair, mais cedo do que mais tarde. Com certeza dará explosiva entrevista coletiva, esperneará e fará levantes. Bem ao estilo de seu temperamento irrequieto. Exagera, sim, mas mostra disposição para a resistência.

    Cássio também exagera em sua introspecção. Não é dado a espetáculos como o de Jackson Lago, seu temperamento é mais reservado e calculado. Mas introspecção demais prejudica, confunde os aliados. Ao invés de uma estratégia, o sumiço é interpretado como um “tô nem aí” quando, na verdade, quem conhece mais de perto o ex-governador sabe que não é bem assim e que 2010 não sai de sua cabeça. É do tipo que prefere a vingança servida em prato frio.
Tudo bem, a vingança pode ser fria. Só não pode deixar que os aliados esfriem o ânimo, o bom senso e a capacidade de subsistirem na oposição (como é difícil ser oposição, né?).

    Nisso José Maranhão é mestre: ele sabe, como poucos, manter viva a esperança dos derrotados. A começar por ele mesmo, um derrotado nas urnas que fez o V da vitória enquanto Cássio tomava posse como governador e que não recuou, nem por um segundo, do sonho de virar governador pela terceira vez, ainda que contrariando a vontade popular.

    Reações, claro, são pessoais. Questão de temperamento. Mas reações de políticos têm que ser sobretudo políticas. Sem espetacularização do sofrimento nem recolhimento depressivo. Apenas serenas.

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