Quem conhece o governador Ricardo Coutinho, sabe que ele não tem medo de brigas e dificilmente recua dos seus posicionamentos, por mais equivocados que sejam. Mas isso não vale para os assuntos que envolvem o senador Cássio Cunha Lima. Aí o rei “bate pino”, deixa o orgulho real de lado e engole sapos.

Foi assim na quase nomeação de Marcelo Weick para secretário de Estado. Todos sabem que Ricardo nutre o desejo de ter um dos algozes da cassação do senador Cássio Cunha Lima no seu secretariado. Numa analogia um pouco distante, é como se Cássio quisesse nomear Luciano Agra ou Roseana Meira para chefe de gabinete em Brasília. Logicamente nossa majestade não iria gostar.

Pois bem, Ricardo queria ter seu pupilo e amigo pessoal como secretário, mas Cássio não aprovou a escolha e mandou recados pela imprensa. Ricardo, como não é de costume, recuou e engavetou a ideia. Mas como uma fênix que ressurge das cinzas, eis que o nome de Weick aparece novamente no Conselho Político nomeado pelo governador.

Tudo não passou de um recado para Cássio – que nos últimos dias deu pistas de que será candidato ao governo – pois além da presença do desafeto do senador, o conselho escolhido na Granja Santana não trazia nenhum cunha lima de peso, a exemplo de Rômulo Gouveia e Efraim Morais.

Ao perceber a reação de Cássio e seu grupo, Ricardo novamente engole o orgulho real e volta atrás, diz que não sabia desse conselho (risos) e afirma que vai criar outro, com Cássio, Rômulo e Efraim. Ora, quer dizer que criaram um conselho à revelia do governador? Um conselho para ajudar o governo e o governante não participa da escolha? Logo Ricardo, o político mais centralizador e totalitário da Paraíba.

Isso é conversa pra boi dormir. Mais uma vez o medo que Ricardo tem de perder Cássio o fez recuar e desmoralizar Walter Aguiar, um dos seus mais íntegros secretários. O governador sabe que não há mais o que fazer para melhorar a imagem desse governo incompetente. Faltam poucos meses para 2014 e milagre nenhum vai arrumar essa lambança até o início da campanha eleitoral.

Hoje Ricardo é refém de Cássio. Sem o apoio do tucano, o governador será um mero coadjuvante na próxima eleição.

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