O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemorou a vitória no referendo popular deste domingo –que permitirá a candidatura à Presidência em 2012– com agradecimentos ao ex-ditador cubano, Fidel Castro, e a população por terem “votado pela revolução” no país.

 

Com mais de 95% dos votos, Chávez obteve a vitória do “sim” –que permite a mudança na Constituição– com uma margem de 54% de apoio (mais de 6 milhões de votos), diante de 45% do “não” (5,04 milhões de votos).

 

“Todos votaram ‘sim’ pelo socialismo, pela revolução”, disse Chávez, em um comício com fogos de artifício e pessoas carregando imagens do presidente com os dizeres “para sempre”.

 

“A primeira mensagem que recebi para o povo venezuelano foi a de Fidel Castro”, disse Chávez em discurso perante uma multidão que se reuniu em frente ao palácio presidencial de Caracas para comemorar sua vitória na noite deste domingo.

 

“Querido Hugo, felicidades para ti e para teu povo por uma vitória que por sua magnitude é impossível medi-la”, expressou Castro, segundo o texto da carta lida por Chávez.

 

“Esta vitória é tua também Fidel, e do povo cubano e dos povos da América Latina”, acrescentou o presidente da Venezuela em sua alocução, retransmitida em cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão.

 

Oposição

Apesar dos primeiros resultados apresentados, a oposição insiste que a porcentagem dos eleitores que votaram pelo “não” deve aumentar a atingir ao menos 67%.

 

“Nas eleições presidenciais de 2012, se Deus não decidir por outra coisa, se o povo também não mudar de opinião, o soldado [Chávez] já é um candidato”, afirmou o presidente diante da população. Na primeira eleições, em 1998, o presidente venezuelano afirmou que conseguiria permanecer ao poder até 2049, quando terá 95 anos.

 

“Efetivamente ele se tornará um ditador”, disse o líder opositor Omar Barboza. “Ele controla todos os poderes, com o uso inescrupuloso da força”, afirmou.

 

O dirigente do Um Novo Tempo (UNT) –liderado pelo ex-candidato presidencial Manuel Rosales, presente na entrevista coletiva, mas que se absteve de falar– insistiu em que continuarão enfrentando o “projeto totalitário de Chávez”, tendo em vista as eleições presidenciais de 2012.

 

Nesse pleito, disse Freddy Guevara, vereador e ex-dirigente estudantil, “ninguém vai ser reeleito e se agora a realidade se impôs, o abuso se impôs […], não ganharão do futuro nem da esperança”.

 

Guevara admitiu que Chávez também foi respaldado por quem está enganado e acredita que não existe mais alternativa além do governante, mas prometeu que a oposição edificará uma opção opositora e que a juventude nunca mais permitirá os erros que devem ter sido cometidos, nem que o Estado abuse de seu poder.

 

“A intenção de Chávez é clara. Ele aspira ser presidente durante toda a vida”, afirmou o analista Michael Shifter, da Inter-American Dialogue, em Washington. “Ele está convencido que a permanência no poder é indispensável para um avanço no país”.

 

Folha Online

 

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