Centenário de Pedro Gondim é lembrado em artigo de importante jornalista

 

 

Com a proximidade do centenário de nascimento do ex-governador paraibano Pedro Moreno Gondim, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) um dos netos de Pedro Gondim, comenta um pouco do aprendizado que obteve do avô. Vital aproveitou para parabenizar o jornalista Gonzaga Rodrigues, pelo belíssimo artigo publicado nos meios de comunicação na última semana sobre a atuação de Pedro.

 

Segundo Vital, Pedro Gondim foi insuperável “como homem, como cidadão e como político”. Ele disse que recebeu do avô um aprendizado “muito mais efetivo e fecundo para as minhas atividades, como homem público, e para a minha vida, como cidadão. Sua memória é materializada todos os dias quando encontro com o povo. Dos mais fecundos intelectuais da Paraíba ao mais humilde cidadão”.

 

Para o senador, a experiência de Pedro Gondim se propaga dia após dia “e eu me incluo como um aprendiz permanente dele. Pedro Gondim foi nico em todos os sentidos. Talvez pela sua luminosidade espiritual Deus tenha reservado um lugar próximo de Si, cuja luz o seu espírito irradia a todos os paraibanos.

 

Vital disse que guarda do avô um sentimento de saudade permanente. De sua forma carinhosa, corajosa, dedicada, com a qual produzia fatos e determinava soluções. Ele foi um desses homens que nós, mortais, gostaríamos de ver imortal fisicamente. Mas sua história e memória, cuja síntese, na década de 60, marcou sua trajetória, na celebre campanha do ‘O Homem é Pedro’ fica como ensinamento para todos nós, familiares e cidadãos deste país”.

 

Aprendizado – Para Veneziano Vital do Rêgo, o avô foi um grande homem, político e cidadão. “Ele nos ensinou muito do que hoje somos. Tivemos com ele um forte aprendizado. Não só para a vida pública, mas para a nossa vida como cidadão. Lembro da forma carinhosa com a qual tratava as pessoas. Não só a nós, familiares, mas a todos, indistintamente.

 

Segundo Veneziano, a trajetória política de Pedro Gondim é marcada até hoje, quando vem à lembrança a memorável campanha da década de 60, quando a Paraíba inteira afirmava: ‘O Homem é Pedro’. “Posso dizer que Pedro Gondim nos deixou um ensinamento muito forte: o de que devemos sempre pensar no bem estar do próximo, do cidadão, fazer o que de melhor pudermos pelos nossos irmãos”.

 

Para Veneziano, Pedro Gondim foi um político que deixou marcas indeléveis no coração dos paraibanos e que contribuiu efetivamente para o desenvolvimento do estado, ao desenvolver uma grande administração voltada para os movimentos sociais. Ele dinamizou a agricultura, impulsionou o comércio, implantou novas indústrias e investiu em projetos culturais”, disse.

 

Veneziano disse que o avô “era um homem de coragem, determinado, que não sabia recuar diante do que se apresentava como dificuldade ou adversidade. Era um humanista no trato com as pessoas, deixando escapar, facilmente, sua sensibilidade e solidariedade. Tinha o dom da palavra, falava com ternura e determinação ao mesmo tempo”.

 

Para Veneziano, Pedro Gondim era “um homem de visão moderna, que sabia administrar olhando para o futuro. Ele deu ênfase, em seu governo, às artes, à educação, à cultura. Do mesmo modo, buscou reduzir a desigualdade social, através de iniciativas louváveis na área social. Era, também, um homem de muita fé, leal, parceiro, amigo. Um exemplo a ser seguido”.

 

 

Confira na integra o artigo de Gonzaga Rodrigues:

 

Cem anos de Pedro

 

O Capim Açu é um engenho de fogo morto onde nasceu Pedro Gondim. Fica entre seios de serras, no regaço por onde passa o caminho que desce de Alagoa Nova para Alagoa Grande. Sua parte com Pedro Gondim dista longe, muito longe. Quando eu era menino o engenho já pertencia a Otavio Leite e dava-se graças a Deus ficar distante pela fama braba do seu dono. Lá em casa não se falava nisso, mas na casa de farinha, pegada com o terreiro, as conversas eram assombrosas.

Hoje tudo isso é ruína, o engenho, a casa de morada, a imponência de Seu Otávio, que vestia lorde e cavalgava melhor tantas vezes quantas o visse passar dominando a estrada ao lado.

Vindo de Alagoa Grande, outro dia, deitei o olhar sobre o Capim Açu. Encostei no aceiro e fui vendo o que o sol daquele dia não iluminava. E me vi rapaz, já homem, hóspede do coronel mal encarado, graças a amizade de escola com seu filho, Roosevelt, que terminou em afeição à família inteira. Ali parado, sozinho, desejei chorar, mas não mereci essa alegria.

Um minuto, dois minutos… Quanto tempo! Ouço bem vivas as referências da minha mãe a Dona Eulina, mulher do major Inácio Gondim, pai de Pedro e prestimoso conselheiro de meu pai. Depois, lá vem Pedro cortando o vento numa motocicleta gigante, voando sob a cebeleira, advogado já feito na região, mas ainda saudado como o filho de Inácio Gondim. Bandeara-se para Serraria, onde terminou eleito como filho, esposo e deputado.

Corre célere o carretel do filme, e o deputado já é governador. Aí chamam um repórter ao Palácio, que Sua Excelência precisava ditar uma nota. Sete da manhã, o café servido ainda sob os lustres da copa do 1º andar, o cortinado aberto para as caravelas de azulejo azul do pátio interno. O governador, a jovem esposa, o repórter e Manuel Costeira, sub-gerente do jornal, portador da convocação. Era uma nota sobre a Codebro, entidade criada pelo governo anterior, a que Pedro fazia oposição, agora com a garantia expressa de continuidade com a expansão da Chesf. “Quero ver isto em Alagoa Nova!”.

Tudo anotado, o rapaz pede licença e ao levantar-se é convidado para o café, o governador já sugando as últimas gotas amargas da xícara. Seu café era sem doce, desde que uma das tias reclamara o estrago ao sobrinho que haviam acolhido.

“ Você é de onde?” Respondi sem supor que valesse alguma coisa. Havia tanta distância, tanta…

Mas veio ficar mais perto, bem perto, desde uma visita que S. Excelência fez ao Clementino Fraga e, sem dar ouvido às advertências, abraçou comovido o repórter ali internado.

No governo, criou órgãos dinâmicos, fundou distritos industriais, construiu escolas, estradas, calçou metade da capital. E ali parado, associando o engenho ao centenário de Pedro, ano que vem, o que me oprimia com mais insistência era aquele abraço sem cal nem placa difícil de aparecer entre as suas obras.



Redação com Assessoria

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