Não há desonra na saída de Cássio do governo, levando em consideração de que não há mais jeito mesmo. Ele não sai deixando uma sensação de coisa incompleta. É como se tivesse sido eleito para governar seis anos e um mês. Cumpriu sua missão. Governou. E, ao meu ver, se credenciou para voltar ao governo num futuro próximo, numa idade em que muitos ainda estão começando.

No fundo, o próprio Maranhão, que vem de Brasília numa carreira sem precedentes, sabe que não há desonra na saída de Cássio. Maranhão tem consciência de que não vai sentar na cadeira de governador e, num passe de mágica, fazer com que todas as ações do governo Cássio pareçam ineficientes, inoperantes e, principalmente, descartáveis.

Isso vai ficar evidente quando Maranhão perceber que não será fácil, por exemplo, mexer no Bolsa Atleta, revogar os 32 planos de cargos, carreiras e salários ou reduzir o Programa do Leite. Para fazer o Maranhão III, o senador vai encontrar um governo bem diferente do que deixou em abril de 2002, quando se desincompatibilizou para disputar vaga ao Senado.

Cássio sai melhor do que entrou no governo. Tanto no que diz respeito à musculatura eleitoral, quanto no quesito experiência administrativa. É mais querido em João Pessoa do que era em 2002 e tem uma legião de concursados, servidores, atletas e outras categorias gratas a ele.

É muito provável, e até recomendável, portanto, que Cássio reflita sobre um retorno ao projeto de governar o Estado lá na frente, disputando o cargo com aqueles que viram o tucano chegar muito cedo no governo. Porque a ascensão de Maranhão novamente ao poder revela que os políticos emergentes na Paraíba, como Veneziano e Ricardo Coutinho, estão muito prestes de adiar seus sonhos de uma disputa imediata.

Se Cássio tiver a consciência de que não precisa “criar monstros” agora deverá chegar depois de 2010 em pé de igualdade numa disputa com os políticos da nova geração. Porque é isso que Cássio é: um político da nova geração. Que apenas chegou mais cedo do que os outros.

Porque é precoce o tal do Cássio. Tanto pra entrar quanto pra sair. Não há, portanto, que se falar em tempo como empecilho para que ele, lá na frente, reúna as condições necessárias para uma nova disputa estadual: está longe de ser velho, tem experiência administrativa e, ninguém questiona, é hoje uma das principais lideranças políticas do Estado.

No lugar de inconformismo e perplexidade, é num clima de “missão cumprida” que Cássio deveria deixar o governo do Estado pra Maranhão. Assumindo o cargo após decisão judicial é Maranhão que, na prática, terá que provar aos setes ministros do TSE que a Justiça sabe escolher os governadores da Paraíba com mais eficiência que o povo. 

 

 

 Detalhe

Apesar do universo processual permitir, os próprios advogados de Cássio não têm muita crença em bons resultados com recursos junto ao STF.

 

 Surpreendente
De todos os atos da sessão desta terça no TSE, o mais surpreendente de todos foi ver o ministro Marcelo Ribeiro derrubar a tese de realização de eleições indiretas em caso de vacância do cargo no segundo biênio do mandato. Ora, no ano passado, o próprio Marcelo Ribeiro proferiu um voto acatado por unanimidade alegando que, em casos de afastamento após o segundo ano de gestão, deve-se aplicar o artigo 81 da Constituição Federal, independentemente da natureza da cassação. No lugar de ser fiel a si mesmo, Ribeiro preferiu ignorar o próprio voto. Não só ele como os ministros Joaquim Barbosa e Ayres Brito, que votaram com Ribeiro em 2008.

 

 

Surpreendente II
Apostei todas as fichas que seria Ribeiro o primeiro a se manifestar em favor da realização das eleições indiretas. Ainda bem que não estranhei sozinho. O ministro Feliz Fisher também desconfiou: “Na outra ação, sobre o mesmo caso, nem chegamos a levantar tais pontos”.

 

 

Por água abaixo
Ficou ainda mais distante o sonho acalentado pelo vereador Bira (PSB) de ser o sucessor do prefeito Ricardo Coutinho (PSB) na prefeitura de João Pessoa.

 

 

Por água abaixo II
O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Aguinaldo Ribeiro, tinha dois ofícios prontos para encaminhar aos prefeitos Veneziano Vital do Rego e Ricardo Coutinho pedindo audiência para tratar da implantação do Paraíba Digital, que prevê Internet sem fio grátis para as duas cidades.

 

 

Novidades no STTrans
Já é dada como certa a posse do ex-vereador Amadeus, ex-PSDB de Cícero, na superintendência do STTrans em João Pessoa. Seria a indicação do PRP de Dinho, que já abocanhou sua vaguinha na gestão de Ricardo.

 

Só uma perguntinha

E o PT de Luiz Couto que anunciou apoio a Ricardo Coutinho independentemente do resultado do TSE vai manter sua posição?

 

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