O senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB) tem uma dura missão pela frente. Vice-presidente nacional da legenda, o parlamentar deverá costurar os acordos entre os caciques do próprio partido visando evitar rusgas internas na formação de alianças estaduais em função da pré-candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Lima reúne-se ao longo desta quinta-feira (24) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin para tratar do assunto, conforme revelado pelo jornalista Josias de Souza.

O desenho do acordo no estado paulista, considerado pelo tucanato como sendo o eixo central da campanha tucana em torno do senador mineiro Aécio Neves na corrida rumo ao Planalto, deverá ser replicado nos demais estados e é visto como fundamental para deixar aberta a possibilidade da formação de uma aliança mais ampla entre PSDB e PSB em um eventual segundo turno.

A reunião de Cunha Lima com a cúpula do tucanato paulista visa fortalecer o palanque de Aécio no maior colégio eleitoral do País. A situação é delicada, uma vez que o ex-governador José Serra ainda tenta viabilizar a sua postulação no lugar do lugar correligionário mineiro. Alckimn, que pretende ser reeleito, tem emitido sinais para uma maior aproximação com o PSB, partido que já integra o governo estadual ocupando o comando da Secretaria de Cultura. Ciente da movimentação de Campos em aumentar a sua penetração em São Paulo, projeto que ganhou força com o ingresso da ex-senadora marina Silva nas fileiras socialistas, a missão do senador paraibano é montar uma estratégia que tanto abrigue os interesses internos como reduza os riscos de uma rusga sem tamanho entre as duas legendas.

No meio deste caldeirão, Lima ainda terá que formatar uma política de não agressão e de alianças com o PSB nos demais estados. Segundo um tucano do alto escalão, o PSDB já trabalha com a possibilidade real de formar alianças junto ao PSB em Minas Gerais, Piauí e Alagoas e avalia a situação em outros estados. “Até antes da aliança com Marina, a candidatura de Eduardo Campos não era viável. Agora a situação mudou e temos que trabalhar com este novo componente. Mas esta reunião é relevante principalmente para definir a situação em São Paulo. Nos demais estados a situação não se altera tanto, ficando mais ou menos como estava anteriormente”, diz um interlocutor do PSDB.

Relembrando a pesquisa do Datafolha, Josias de Souza ressalta que “Campos saltou do patamar de um dígito para luminosos 15%. De lamparina, converteu-se em abajur. Dono de 21% das intenções de voto, Aécio não ignora que o segundo turno depende da combinação do seu desempenho com a pontuação de Campos. Seu dilema consiste não se deixar ultrapassar pelo ex-candeeiro. Daí a preocupação em regular a parceria”, analisa o jornalista.
Esta regulação passaria pelo ingresso do PSB como vice na chapa da reeleição do governador Geraldo Alckmin. Em troca, os socialistas colocariam à disposição do PSDB o seu tempo na propaganda partidária de rádio e televisão. Mas, caso o partido venha a pender para os desejos da ala que apoia o senador e presidenciável Aécio Neves, esta formatação não será viabilizada, já que tanto o PSDB como o PSB deverão caminhar de forma paralela, com as legendas apoiando cada uma o seu próprio candidato.

É esta a missão que o senador e vice-presidente nacional do PSDB, Cássio Cunha Lima, tem pela frente. Se obtiver sucesso, o modelo deverá ser aplicado em diversos estados onde a aliança PSDB e PSB é considerada viável. Caso não haja acordo, o PSDB terá que formatar rapidamente uma alternativa que, se não barre o crescimento da candidatura de Eduardo Campos, também não permita o enfraquecimento da campanha tucana no maior colégio eleitoral do país.

Brasil 247

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