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Cássio é apontado como oportunista no tema transposição após “entrevero” com blogueiro

 

O jornalista Walter Galvão, em coluna publicada nesta terça-feira (07), no Jornal A União, tratou a postura do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), quando o assunto é a transposição do Rio São Francisco, como “oportunista”.

Tudo porque o posicionamento do tucano adotado hoje em dia é bem diferente do que ele defendia, quando teve a oportunidade de comandar a Sudene, décadas atrás. Tal posicionamento ganhou destaque no blog do procurador Tião Lucena, que resgatou como era a postura do tucano àquela época.

Cássio, ao saber da repercussão, xingou, em um grupo de whatsapp, o blogueiro em questão, e acabou tendo a “resposta” repercutida até mesmo na mídia nacional.

“O jornalista, ao resgatar a entrevista do senador, cumpriu o papel da imprensa que é, além de informar, também questionar, cobrar, responsabilizar. A perspectiva histórica mostra Cássio hoje como um oportunista. É o que se conclui a partir da nota de Sebastião Lucena”, diz trecho da coluna de Walter Galvão.

A coluna na íntegra pode ser conferida logo abaixo.

 

 

Cássio e a roda quadrada na política

 

(Coluna em A União, edição de 7/2/ 17)

O que continuo a ver nesse episódio indecoroso da perda de compostura protagonizado pelo senador paraibano Cássio Cunha Lima, do PSDB, é a estridência de um tema que a escola precisa enfatizar mais em defesa ao menos de um ideal de concepção do que seja qualidade de vida.

Qualidade de vida de ordem prática concreta para o exercício de um repertório técnico profissional capaz de fazer os motores do mundo funcionarem; e qualidade de vida de ordem prática abstrata, não teórica, ora na instância da vivência espiritual do sentimento da fé, ora na fruição espiritual das certezas e das dúvidas éticas sob o arco do laicismo.

O episódio já correu o mundo. Aqui vai um resumo. O jornalista Sebastião Lucena divulgou entrevista do senador, então superintendente da Sudene, cargo que Cássio ocupou de 1992 a 1994.

Nessa entrevista, Cássio se diz contra a obra de transposição do rio São Francisco. Lembro-me do episódio porque revelava uma visão tacanha, estreita, a respeito de uma solução secularmente apontada para a falta de planejamento na prevenção aos efeitos da seca no Nordeste.

Visão decepcionante de um jovem que se dizia comprometido com as urgências do seu tempo. Outro espanto causado pela rejeição à transposição por Cássio foi devido ao alinhamento ao qual ele se entregou à tropa de choque de Antonio Carlos Magalhães.

ACM, o famigerado coronel da Bahia nomeado duas vezes pela ditadura militar para o cargo de governador, liderou um bloco de reacionários contra a transposição por motivos obviamente subalternos e fisiológicos.

Para Cássio, transpor o rio seria um gasto inútil. Uma obra irrealizável. Algo contra os reais interesses da nação. Igualzinho ao que pensava ACM. Uma lástima, realmente.

Passados os anos, e agora de mãos dadas com Michel Temer, o senador, nesta iminência de inauguração da obra realizada pelos governos Lula e Dilma, tem proclamando a validade, a oportunidade e a legitimidade da transposição.

O jornalista, ao resgatar a entrevista do senador, cumpriu o papel da imprensa que é, além de informar, também questionar, cobrar, responsabilizar. A perspectiva histórica mostra Cássio hoje como um oportunista. É o que se conclui a partir da nota de Sebastião Lucena.

A resposta do político paraibano foi um conjunto de xingamentos com o intuito de desqualificar o portador da notícia, esvaziar a exposição de sua ignorância à época sobre o significado da obra e desviar a atenção para o fisiologismo que exibe com a desfaçatez de quem acena da janela do avião. Feito o registro da minha visão do episódio, vamos ao tema que não quer calar.

O tema é o que devemos e podemos fazer com o poder de influenciar a vida das pessoas que nos chega às mãos. Se pensarmos bem, somos colocados frente a frente a esse desafio vários vezes por dia, nas relações do cotidiano.

Processo em que sempre agimos para decidir mais ou decidindo para agir menos. Submetemo-nos ao pacto da sociabilidade controlada para o bem comum. Uma prática cultural que se enraíza em nossa memória e migra replicada na mentalidade das gerações com suas forças cíclicas.

Isso é assim desde os aprendizados nas cavernas que compartilhávamos com os dinossauros lá em Sousa, até as cavernas psicoelétricas da internet profunda com seus feixes de segredos guardados a sete senhas e seus estados morais anômalos e fora de ordem.

Entre os estados morais que integram a ordem natural da nossa cultura, e são pertinentes ao tema do nosso diálogo, estão prudência, justiça, polidez, gratidão, temperança, entre outros.

O senador Cássio foi imprudente, injusto, grosseiro e ingrato ao expor sua visão autoritária do mundo acreditando que basta desqualificar alguém com um falso testemunho (“ele babou muito o meu ovo”) para que o seu objetivo se concretize. O resultado foi a expansão da uma imagem negativa de um coronel midiático cassado pela Justiça Eleitoral que herdou a vaga do pai na política sem nunca ter feito qualquer trabalho na vida. Um político profissional engendrado no laboratório de uma oligarquia familiar. Uma roda quadrada no bonde da história paraibana.

Por Walter Galvão

A coluna também pode ser acessada AQUI 

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