Cássio vai ficar contra CPMF, faz apelo para Roberto Cavalcanti em favor do governo Ricardo e diz que apoiará nomeação de Maranhão para ministério
 

Senador eleito com mais de um milhão de votos no dia 3 de outubro, o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) reafirmou na noite desta segunda-feira, em extensa entrevista ao Conexão Master, da TV Master, a tese de fim das brigas políticas na Paraíba e o começo de um novo tempo no Estado.

Tanto que não se envergonhou ao fazer um apelo para que o senador Roberto Cavalcanti (PRB), dono do Sistema Correio da Paraíba, compreendesse o momento em que a Paraíba vai viver a partir de janeiro de 2011 com Ricardo Coutinho (PSB), eleito governador, e não adotasse a postura adotada contra ele no seu governo.

Foi além e declarou em alto e bom som que, mesmo na oposição ao governo Dilma, vai endossar qualquer eventual indicação do governador José Maranhão (PMDB) para um ministério, conforme se especula. “A Paraíba viverá um novo tempo e claro que ficarei, mesmo na oposição, a favor que Maranhão seja indicado para cargo federal”, declarou.
 

Quanto ao impasse do PSDB, apesar de reafirmar a necessidade do partido apoiar o governo Ricardo em razão da legenda fazer parte da aliança que o elegeu, Cássio declarou que não vai ter briga com o senador Cícero Lucena, atual presidente do diretório estadual.

“Cícero não será deposto da presidência”, declarou Cássio, afastando de si a tese de assumir a presidência do PSDB. Segundo ele, o partido vai a partir de janeiro conversar internamente para chegar a um consenso.
 

Quanto à participação no governo Ricardo, Cássio foi claro: “Fui importante nesse projeto como qualquer um dos eleitores que votaram em Ricardo. Não nomearei secretários. Darei, no máximo, opiniões se for procurador. O governador eleito é Ricardo Coutinho”, disse.

Cássio acrescentou como que querendo afastar de si e de Ricardo os boatos e os venenos sobre a relação de ambos no governo. “Não serei instrumento de discórdia nas mãos de nenhum oposicionista”.

Elogiando a composição da comissão de transição, que traz dois “cassistas”, o senador tucano disse que o PSDB não vai contabilizar cargos no governo Ricardo. “Isso não importa. Importa é que após quatro anos, Ricardo possa ser reeleito com mais de 80% de aprovação”, disse.

Já antecipando sua resposta sobre possível candidatura ao governo em 2014, Cássio reafirmou: não será candidato a governador e defenderá a reeleição de Ricardo Coutinho. “Seria um desserviço para Paraíba e permitir que meu nome fosse lançado para governador em 2014”.
 

Falando em eleições futuras, Cássio teve tempo ainda de dizer que não vai “desestimular” o filho Diogo Cunha Lima, seu primogênito, se por acaso ele desejar desenhar candidatura a prefeito de Campina Grande em 2012. “Mas também não vou estimular. Se por acaso ele preferir continuar os estudos e desenvolvendo suas atividades empresariais, não sou que vou dizer que ele tem que entrar na política”, declarou.

Falando sobre os temas nacionais, Cássio antecipou que vai se posicionar contra o retorno da CPMF, acompanhando decisão do PSDB. Uma posição, inclusive, diferente da que adotou quando governador da Paraíba. Segundo ele, na época, ele recebeu informações do governo federal de que o País teria sérios problemas em assegurar recursos com o fim da CPMF.

“O que não foi verdade, porque o imposto caiu, mas as receitas subiram”, declarou, admitindo que esta será uma bandeira em que ele não acompanhará o governador eleito Ricardo Coutinho, que é a favor do retorno da cobrança nas movimentações bancárias.

 

Blog do Luís Tôrres
 

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