Em sua primeira entrevista à imprensa depois de quase morrer em ataque a faca, o candidato do PSL na corrida presidencial, deputado Jair Bolsonaro, criticou a postura de um de seus 12 adversários, Geraldo Alckmin (PSDB), pela linha de ataque escolhida pelo tucano na campanha eleitoral – um "festival de baixaria", segundo o ex-capitão do Exército. Desde o primeiro dia de horário político em rádio e TV, Alckmin tem atacado Bolsonaro com vídeos e áudios variados, que reúnem desde ofensas do deputado contra mulheres até declarações sobre quilombolas – estratégia que só deu trégua em alguns poucos dias após o atentado, com Bolsonaro em recuperação de cirurgia.

"Vejo com muita tristeza o Geraldo Alckmin, uma pessoa em quem eu já votei. Ele pegou pesado. Eu não esperava isso dele, mas a verdade é que ele não é diferente do PT", fustigou Bolsonaro, passando a citar casos de corrupção durante a gestão do tucano no governo de São Paulo.

"Eu não tenho tempo para rebater esse festival de baixaria. Podia perguntar da merenda [escolar, escândalo de desvio de dinheiro público que abalou o PSDB paulistano], da obra do Rodoanel, da Odebrecht. É covardia do Alckmin", acrescentou o candidato.

Segundo o site do jornal Folha de S.Paulo, que publicou a entrevista há pouco, Bolsonaro falou por cerca de quatro minutos ao telefone, de seu quarto no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se recupera de dois procedimentos cirúrgicos e já apresenta tom de voz "praticamente normal". De acordo com o texto assinado por Igor Gielow, o deputado diz ter recuperado o bom humor e que, até então, enfrentou uma "barra pesada" e ficou entre a vida e a morte.

Bolsonaro também fez menção à declaração do economista Paulo Guedes – "guru econômico" da campanha do PSL apontado como eventual ministro da Fazenda – a respeito da possibilidade de recriação da CPMF, a impopular Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. A cogitação da volta do imposto foi revelada na quarta-feira (19) pela colunista Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo). Instalado o atrito, Guedes cancelou participação em eventos, como o que foi organizado nesta sexta-feira (21) pela Câmara Americana de Comércio (Amcham).

"Olha, ele não tem experiência política. O cara dá uma palestra de uma hora, fala uma coisa por segundos e a imprensa cai de porrada nele", enfatizou Bolsonaro, em referência à simplificação tributária que, adiantada por Paulo Guedes, consistiria em alíquota única de 20% do imposto de renda para quem recebe acima de cinco salários mínimos, tese apresentada pelo economista a uma plateia de investidores na última terça-feira (18).

Mas o deputado evitou falar da polêmica protagonizada pelo seu candidato a vice, general Hamilton Mourão (PRTB), durante evento público. O militar defendeu uma Constituição elaborada por não eleitos e a ideia de que filhos criados por mães e avós, sem a presença do pai, correm mais risco de entrar para o tráfico. Como este site mostrou ontem (quinta, 20), Bolsonaro pediu a Mourão que apareça menos no noticiário.

O general cancelou agenda de viagens no interior de São Paulo e no Rio Grande do Sul e ficará em sua casa, no Rio, nos próximos dias. O próprio Mourão considerou a ideia de se instituir novo tributo semelhante à CPMF, atribuída a Paulo Guedes, “um tiro no pé”. Mas, segundo Mourão, não há crise na campanha. “Isso é uma tentativa de criar uma divisão que não existe. Estamos coesos.”

 

Congresso em Foco

 


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