A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva voltou a dizer no final da noite desta segunda-feira, 21, que a marca do governo Dilma Rousseff é o "retrocesso" sob o ponto de vista da agenda do desenvolvimento sustentável. Ela citou como exemplo a aprovação do novo Código Florestal, bastante criticado por ambientalistas, e o aumento do índice de desmatamento durante a gestão da petista.

Marina foi a entrevistada do programa Roda Viva, da TV Cultura. Na pauta, a sua recente filiação ao PSB e o apoio ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na corrida presidencial em 2014.

Marina também disse que a crítica que fez o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) deixar a aliança com o PSB não se estende ao agronegócio. Caiado é um dos líderes da bancada ruralista da Câmara. "Há agronegócio e agronegócio. Mas é claro que existem aqueles que fazem questão de manter o olho no retrovisor para o século 19", afirma.

Aliança. Marina defendeu mais uma vez que fez uma aliança programática com o PSB e que não está definido se ela será a vice da chapa. Segundo ela, ainda é muito cedo para avaliar se a parceria com a sigla vai dar certo, mas afirma que Campos fez um movimento de "inflexão" política ao aceitar a união com o seu grupo.

"Campos estava construindo uma candidatura no diapasão da velha política, agora tudo isso mudou. E essa inflexão pode mudar a qualidade da política do Brasil", disse.

A ex-ministra defendeu ainda que não houve erro de estratégia ao planejar a criação da Rede Sustentabilidade e voltou a culpar os cartórios pela rejeição do pedido de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Libra. Marina disse que sobraram muitas dúvidas quanto ao leilão do Campo de Libra, realizado nesta segunda. Sem concorrência, o consórcio formado por Petrobrás, as chinesas CNOOC e CNPC, a francesa Total e anglo-holandesa Shell arrematou a área, com uma proposta de pagamento de 41,65% do lucro em óleo para a União.

"Um leilão que só tem uma proposta, a gente fica na dúvida se de fato foi um leilão", disse. Marina também questionou em que área serão usados os R$ 15 bilhões que o governo ganhou com o leilão. "Esse recurso vai para onde? Vai para educação? Acho que não. Vai para fechar o superávit primário, já que o governo está tendo problema? Está tendo muitas interrogações", afirmou.

Conhecida por sua militância na causa ambiental, Marina disse, no entanto, que o "petróleo ainda é um mal necessário", pois não há fontes de energias renováveis suficientes para suprir a demanda atual. "Nossa matriz energética é baseada no uso de petróleo, carvão e gás. Hoje nós não temos como trocar essa fonte". Ela defendeu ainda investimentos em novas formas de produção de energia.

Estadão
 

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