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Arrastão nos salários

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    Todo mundo já falou sobre os cortes nos salários dos servidores estaduais, agora é minha vez.

    Uma amiga servidora do Estado chorou ontem, ao telefone, ao me informar que sua gratificação de apenas R$ 300 havia sido retirada do contracheque. Nada a ver com as “gratificações exorbitantes” a que se referiu o procurador-geral do Estado, Marcelo Weick, muito menos com “fantasmas”. A servidora – prefiro resguardar seu nome – trabalha diariamente em uma Secretaria estadual, cumpre integralmente seu expediente, ganha pouco e ainda recebe uma irritante explicação sobre o corte no seu salário.

    Como essa servidora há várias (que trabalham), o que prova que o critério para os cortes não foi apenas a existência de “gratificações exorbitantes” ou dos “fantasmas”. O governador quis, simplesmente, economizar (pra gastar depois com os seus mais próximos, é claro, ou alguém tem dúvida?) e, para isso, tinha que ter uma explicação, ainda que tardia e nada convincente.

    Quem não trabalha, quem não dá expediente, tem que ter sua gratificação cortada, sim. Em relação a isso estou de acordo com o governador. É preciso deixar as gratificações para aqueles que as justificam. Dinheiro público tem que ser tratado com seriedade. Mas usar essas mazelas da administração pública para justificar cortes nos salários de humildes servidores como essa minha amiga não é só uma injustiça, mas uma crueldade.

    Por que tanta crueldade com humildes servidores? Por que não devolver as gratificações a quem realmente trabalha? Por que nivelar todos os servidores a “fantasmas” ou a vagabundos e não merecedores de um bônus no salário já tão minguado? Por que penalizar os humildes? Será que não pensaram antes que essa atitude covarde (sim, covarde, porque ninguém foi avisado) poderia trazer consequências gravíssimas a várias famílias? Por que tanto desprezo pelos servidores?

    Minha amiga chora sobre contas a se vencer. Chora porque se sente humilhada, indigna de um aviso ou de uma explicação convincente. Chora, como há tantos outros que também lamentam a adversidade repentina, a falta de respeito, o arrastão nos salários.
O poder é efêmero. Ninguém tem medo de um arrastão eleitoral no próximo ano, não?

 

    Pérolas

 

    O secretário de Administração, Antônio Fernandes, justificou os cortes como medida necessária “para não atrasar a folha de março”. Ora, isso é explicação que se dê? Por acaso os salários vinham sendo pagos com atraso?

     “Era necessária essa adequação, mas devemos analisar alguns casos de concessão de gratificação, usando o critério de quem realmente está trabalhando”, afirmou o secretário.

    E por que não evitaram esse transtorno todo analisando antes esses casos? Por que penalizar agora e rever (será que vão mesmo rever? O que garante isso? Quem garante isso?) o erro depois?

    De Marcelo Weick: “Cada caso será analisado”. Por que não analisaram antes, criatura?

    Quanto mais explicam, mais se enrolam e mais irritam os servidores.

 

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