Por pbagora.com.br

Fim do recesso parlamentar. Senadores seguem se articulando pela renúncia do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Para Cristovam Buarque (PDT-DF), o certo a se fazer é esvaziar o plenário caso o peemedebista se mantenha no cargo. O senador, no entanto, espera “não precisar chegar a este ponto”. Salienta: “Creio que antes disto Sarney entenda que não tem condições de permanecer e renuncie”.

Os senadores pretendem pressionar o presidente da Casa para que saia antes mesmo da reunião do Conselho de Ética nesta quarta-feira, 5. Ao longo de todo o recesso, que durou 15 dias, as representações e denúncias contra Sarney não cessaram, totalizadas em 11 até esta segunda-feira, 3.

“Se nem Renan foi cassado, Sarney não será”, diz o senador pedetista, com base em desconfianças que nutre em relação ao Conselho de Ética do Senado.

– Esse Conselho não vai nem tentar julgar o Sarney. Vai tentar engavetar o processo. Arquivar as representações. Só que isto significa destruir o Senado.

Após insistir na renúncia de Sarney, Cristovam diz se sentir “profundamente incomodado” com a presença dele na presidência da Casa. E afirma ser este o seu motivador para não comparecer às sessões as quais o peemedebista comandar.

Leia a entrevista:

Terra Magazine – Esvaziar o plenário é uma tática muito criticada por parlamentares. Fazer isto quando Sarney presidir uma sessão não seria usar o mesmo que se critica?
Cristovam Buarque – Olha, eu espero que não precisemos chegar a isto. Creio que antes disto o presidente José Sarney entenda que não tem condições de permanecer e renuncie. Ele não precisa sair do Senado, não precisa ser cassado, mas precisa deixar de ser presidente. É o sentimento de muitos senadores, eu me sinto incomodado com a presença de Sarney na presidência depois de tudo o que eu defendi. Eu ficaria profundamente incomodado em participar de sessões as quais ele estiver presidindo.

O senhor fala em vergonha?
Se eu digo que ele não tem credibilidade e aceito a liderança dele é esquisito, no mínimo.

Mas essa hipótese que o senhor cogita não seria contraditória?
Isto é a continuação dos trabalhos do Conselho de Ética que vai nos responder. De qualquer forma, ele saindo da presidência, dificilmente haverá cassação do mandato. Nem no caso do Renan houve cassação. Os advogados de Sarney vão argumentar que os escândalos não foram coisas do período dele na presidência. Há uma diferença grande entre perder a credibilidade e ser condenado. Credibilidade ele já perdeu. Se ele será julgado, só o Conselho de Ética pode responder.

O fato de o Conselho de Ética ser maioria da base aliada do Sarney dificulta um julgamento isento?
Esse Conselho não vai nem tentar julgar o Sarney. Vai tentar engavetar o processo. Arquivar as representações. Só que isto significa destruir o Senado.

Como estão os bastidores agora para a retomada dos trabalhos em Brasília?
Há uma grande preocupação entre os senadores porque ninguém tem certeza do que é que vai acontecer, não sabemos o que foi conversado entre a base de Sarney e o presidente da República, nem sabemos o que está sendo articulado por debaixo dos panos.

Terra Magazine

 

Notícias relacionadas

Sem máscara, Bolsonaro é barrado em churrasquinho: “pode não”

Em uma de suas saídas pela periferia de Brasília, no último sábado (10/4), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), recebeu uma resposta inusitada, em uma barraca que vende partes de…