A luta dos que figuram o alto escalão do PSB paraibano vem ganhando contornos já vistos na história da humanidade, quando aliados começaram a divergir, causando um cisma na coletividade. A problemática é séria, e grandes impérios entraram em declínio justamente pela convulsão social interna causada por seus líderes. Batalhas foram travadas em nome da “verdade absoluta”, a exemplo da Guerra de Sessão dos Estados Unidos ou embates nas cidades-Estado gregas.

Na Paraíba, não houve morticínio, mas diáspora sim; estando como fator preponderante embates de forças políticas outrora aliadas, colocando como exemplos mais recentes o fatídico episódio entre o então governador José Maranhão e Ronaldo Cunha Lima, que ocupava uma cadeira no Senado. Os dois divergiram numa cerimônia festiva ocorrida em 1998 no Clube Campestre, na cidade de Campina Grande, causando sérios prejuízos para o povo paraibano

Ao falar em prejuízos, refiro-me a uma unidade de grande força política rompida naquele momento. O mesmo ocorreu em 2012, quando o então prefeito Luciano Agra rompeu com o governador da época, Ricardo Coutinho, passando a apoiar a postulação de Luciano Cartaxo a chefe do Executivo municipal, que saiu vitorioso graças ao rompimento.

Agora a história busca se repetir, figurando como pretexto para um suposto confronto entre o ex-governador Ricardo Coutinho e seu sucessor, João Azevêdo, a permanência de Edvaldo Rosas na presidência do PSB na Paraíba. Hoje ele responde, também, pelo cargo de Secretário Chefe de Governo. Alas socialistas divergem sobre sua permanência no comando estadual da sigla.

Alguns apoiam Edvaldo Rosas à frente do PSB paraibano, outros a ascensão de Ricardo Coutinho para o cargo. Enquanto isso, o prefeito Luciano Cartaxo, que até o início da semana demonstrava irritação por não ter ao seu lado um nome expressivo para apoiar nas eleições de 2020, torce, deitado em berço esplêndido, por um racha nas hostes socialistas, o que estancaria um projeto político que vem obtendo bons resultados nas mais variadas áreas da gestão pública.

Cartaxo sabe que poderá ir para o ostracismo político caso não “faça” seu sucessor, daí ser ele o maior interessado no rompimento político entre Azevêdo e Ricardo Coutinho. E sua de raciocínio é lógica: caso tal possibilidade seja efetivada, o prefeito da Capital buscará abrir as portas do Palácio da Redenção e tentar o apoio estadual para seu projeto político de 2020. E aí vem o adágio popular do: “Mais vale um pássaro na mão que dois voando”. É algo que o alto clero do PSB deve considerar. Basta observar a história, que é cíclica.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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