Apesar de tudo, o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), continua politicamente vivíssimo. Mais que isso: não perdeu o protagonismo no cenário da política paraibana, e continua uma liderança forte; um “fantasma” que assombra tudo quanto é adversário.

Senão vejamos: o simples fato de Ricardo Coutinho haver concordado em conceder uma entrevista ao jornalista Antônio Malvino, na Rádio Sanhauá (AM 1280), nesta sexta-feira 13 (isso é cabalístico), virou manchete e comentários em tudo que é rádio, jornal, portais, facebook, Instagram etc e tal. Até os contrários se curvaram ao fato político mais relevante da semana em curso.

Da mesma forma que não se joga pedra em fruta podre, também não se noticia – muito menos com tamanho alarde – fatos e personagens irrelevantes. A irrelevância não tem apelo jornalístico e, portanto, o seu destino é a lixeira da redação, como a minha geração dizia sobre os releases (como eles hoje ocupam generosos espaços, sem sofrer nem um copi!..).

Cerco fechado
É notório que os espaços na quase totalidade da mídia paraibana estão deliberadamente fechados para entrevistas com o ex-governador Ricardo Coutinho, sobretudo presenciais. Há um ranço e um evidente espírito de vingança que separam Ricardo Coutinho dos grandes, médios e pequenos veículos de comunicação, e até de algumas instituições…

Detalhe: desta vez, os veículos abriram manchetes sobre a entrevista pautada pela Sanhauá, porque não tinham como esconder o fato jornalístico da semana, que desperta interesse total, sobretudo naqueles que gravitam no universo político paraibano, de Cabedelo a Cachoeira dos Índios.

Em tempo: com honrosas exceções (Os Intrometidos e o Paraíba RádioBlog, por exemplo), quase todo o resto nunca teve coragem de mostrar os caninos para Ricardo Coutinho enquanto ele estava no exercício de algum mandato. Essa coragem é recente…

Pois bem: Coube ao veterano Antônio Malvino quebrar essa corrente-da-má-vontade contra Ricardo Coutinho lhe oferecendo os microfones para falar o que lhe vier na telha. E anotem ai: será a maior audiência que a Rádio Sanhauá terá registrado em toda a sua história. E mais: se o simples anúncio de que a entrevista aconteceria foi manchete em tudo quando é lugar, imagine o estardalhaço que provavelmente será a sua repercussão.

O povo quer saber
Desde a quarta-feira passada, o que mais se questiona nos círculos da política paraibana é: o que será que o Mago vai dizer?

Não se sabe, ainda, se durante a entrevista terá microfone aberto para a participação dos ouvintes. Escuta-se falar, na surdina, que os adversários do ex-governador, prevenidos que só eles, já arregimentam militantes para, num eventual fala-povo, detonar o entrevistado com comentários e perguntas capazes de constrangê-lo.

Nilvan vem ai!
Na mesma sexta-feira 13, o MDB fará uma grande recepção ao seu novo filiado, o radialista Nilvan Ferreira, cajazeirense da gema e âncora do mais ouvido e festejado programa de rádio da Paraíba, o Correio Debate.

Nilvan já está em notória pré-campanha para prefeito de João Pessoa, com estratégicas visitas aos bairros de da Capital. A princípio, esperava-se que ele (conforme dava demonstrações) se filiasse ao PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

De repente, o radialista deu uma guinada e está indo parar nas hostes emedebistas, com ficha de filiação que deve ser abonada pelo comandante-em-chefe do partido, o senador José Maranhão.

À boca miúda, corre nos bastidores da política a informação de que a ida de Nilvan para o MDB decorre de uma simples “sugestão” do empresário Roberto Cavalcanti, dono do Sistema Correio.

Pode não ser, mas faz todo sentido. Afinal, o Doutor Roberto sempre manteve uma relação muito próxima do MDB e, de modo especial, de José Maranhão.

Vacância
Já nos meios jornalísticos a pergunta que se começa a fazer é: quem irá substituir Nilvan Ferreira na cadeira número 1 do imbatível Correio Debate, quando ele tiver que deixar o programa por força da lei, para concorrer à PMJP?

Ninguém é insubstituível, mas convenhamos: profissionais com o perfil de âncora do Correio Debate, tem muito poucos nessa terrinha de meu Deus.

Vai dar trabalho pra encontrar substituto.

Em tempo
O portal PB Agora não se insere na lista dos veículos que fecharam espaços para o ex-governador. A propósito, convém lembrar que foi aqui, nesta coluna, que foi publicada a entrevista de RC, marco do rompimento declarado dele com o governador João Azevêdo. Ricardo Coutinho também havia concordado com a proposta deste colunista para conceder outra entrevista exclusiva. A entrevista deveria acontecer imediatamente após a decisão da Justiça de mantê-lo solto. O colunista, porém, foi submetido a uma cirurgia na bexiga, o que inviabilizou o combinado.

 

Wellington Farias
PB Agora

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