Por Wellington Farias
TSE – Tribunal Superior Eleitoral Urna eletrônica
 
 

Independente de qualquer que seja o resultado a emanar das urnas no primeiro turno das eleições municipais, em João Pessoa, Nilvan Ferreira é o único que pode se considerar vitorioso por antecipação.

Nilvan não tem nada a perder: não é político, tradicionalmente falando; nunca almejou, até então, disputar qualquer cargo eletivo, muito menos jamais havia lhe passado pela cabeça adquirir cacife suficiente para disputar, sobretudo, a maior Prefeitura da Paraíba que é a da Capital. Nilvan sempre foi um comunicador, fez nome e fama na sua terra natal, Cajazeiras, formando dupla de debate radiofônico com Fabiano Gomes.

Aliás, Nilvan veio para João Pessoa a reboque de Fabiano Gomes que para cá foi trazido sob os auspícios do então governador do Estado, Cássio Cunha Lima, para defendê-lo nos microfones da Rádio Arapuan da saraivada de pau que o Sistema Correio dava diariamente em Cunha Lima. Fabiano veio, mas exigiu que o seu parceiro de microfone viesse junto e assim foi feito.

Aventurando-se

Talhado para os desafios, assim como Fabiano, Nilvan deixou Cajazeiras onde era profissional feito, em meio a muitas incertezas sobre o seu futuro profissional na Capital. Em João Pessoa, cresceu profissionalmente, talvez mais que em Cajazeiras, igualmente ao seu parceiro de bancada.

Ao longo desses anos, Nilvan Ferreira não só se projetou em dupla com Fabiano Gomes, como mostrou ter luz própria, segundo ficou comprovado, depois que a dupla se divorciou com a ida de Fabiano para o Sistema Correio de Comunicação. Nilvan permaneceu na Arapuan, num sistema muito menor, de perfil muito mais amadorístico e no microfone de potência infinitamente menor. Mesmo assim, conseguiu mostrar o seu valor próprio de comunicador amealhando recordes de audiência, vencendo até os programas do Sistema Correio.

No Correio

Na sequência dos fatos, Nilvan Ferreira seria contratado pelo Sistema Correio, o que, de certa forma, já era esperado com a saída de Fabiano Gomes. E foi ali, no poderoso microfone da 98 FM da Correio, ancorando o mais poderoso radiofônico da Paraíba, que o cajazeirense Nilvan foi tocado pela mosca azul da política e se fez cacifado para disputar a sucessão do prefeito Luciano Cartaxo.

Nilvan chegou a figurar como o primeiro colocado nas primeiras pesquisas de opinião, quando o quadro de concorrentes ainda faltava muito para se definir. De qualquer forma, já se apresentava como forte candidato.

E se?!

Com essa trajetória meteórica na política de João Pessoa, seja qual for o resultado emanado das urnas no próximo domingo, Nilvan já pode se considerar um vitorioso. Afinal, terá ido na política onde nunca imaginou chegar; massificou o seu nome para, caso não logre êxito agora, poder até concorrer às eleições de 2022 para deputado estadual ou federal.

E se?! 2

Caso vá para o segundo turno das eleições em João Pessoa, o que não é impossível, naturalmente Nilvan terá se dado muito melhor ainda.

E como ninguém tem adivinhão no bolso, convém avaliar também até a possibilidade de Nilvan ganhar o primeiro e o segundo turno, o que faria dele um fenômeno e um vitorioso por completo.

O pior

Em meio a todas essas conjecturas, talvez a possibilidade menos favorável a Nilvan seria um quarto ou quinto lugar porque, de qualquer forma, seria uma grande frustração para quem recentemente encabeçava a lista dos preferidos dos eleitores de João Pessoa.

Perdedores

Neste processo de sucessão de Luciano Cartaxo, perdedores mesmo terão sido Ricardo Coutinho, Cícero Lucena, Edilma Freire e Anísio Maia caso não logrem êxito nestas eleições.

Apesar de todo o bombardeio que vem sofrendo, não vencer a eleição Municipal de João Pessoa mesmo que vá para o segundo turno, para Ricardo seria uma derrota, tanto pelo histórico de vencedor quanto pelas duas gestões na Prefeitura de João Pessoa e as duas no Governo do Estado, que entraram para a história de forma positiva.
Cícero Lucena também seria um grande derrotado não se elegendo prefeito de João Pessoa, mesmo que vença o primeiro turno. Também pelo seu histórico de vitorioso e com a grandeza que entrou no processo figurando como o preferido dos pessoenses desde que se declarou candidato até o presente momento.

Edilma Freire em não se elegendo sucessora do seu padrinho político Luciano Cartaxo seria outra grande derrotada. Afinal, ela representa a escolha pessoal do atual prefeito que continua com a caneta, o poder e uma máquina administrativa poderosa nas mãos.
Anísio Maia caso não vença as eleições também pode se considerar um grande derrotado. Primeiro, pela sua história de luta e por ter sido um dos mais combativos membros do Partido dos Trabalhadores, de 40 anos de tradição. Além disso, Anísio ainda corre o risco de sair deste processo acusado de favorecer a direita e o bolsonarismo, sobretudo porque, em dado momento crucial da campanha, bateu mais no seu ex-aliado Ricardo Coutinho – expressão das esquerdas e dos setores progressistas – do que propriamente nos outros adversários.

 
 

Por Wellington Farias

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