O Calvário é mencionado em todos os quatro evangelhos quando relatam a crucificação de Jesus. Mas não é esse episódio bíblico que vou tecer comentários. O Gólgota em discussão está centrado no pequeno município do Conde, administrado pela prefeita Márcia Lucena (PSB), que esteve à frente da secretaria de Educação do Estado entre 2012 e 2016.

E qual o pecado capital cometido por Márcia Lucena para ser citada neste artigo? Bem: antes de qualquer observação, é preciso apontar que ética e moralidade são os princípios básicos para aqueles que cuidam da coisa pública.

Aquela pertencente ao povo, e não a donatários que loteiam o patrimônio material e imaterial de uma localidade em benefício próprio ou de outros que orbitam a “Casa Grande”, deixando a “Senzala” como objeto de esquecimento.

Agora retornando a Márcia Lucena, cai sobre ela uma granada de fragmentação que pode, sem sombra de dúvidas, apagar toda sua história enquanto educadora. Na página da prefeitura do Conde, em seu perfil, a gestora aparece como uma heroína. Quase um ser imaculado, que diz ter um “sonho de um mundo novo, para os mais novos seres”.

Bem, belo texto de apresentação. Confesso que quase chorei, mas retornei à realidade em tempo. Márcia Lucena, a senhora que “entendeu o seu papel histórico e a urgência por mudanças as quais a cidade (Conde) necessitava” não é, em seus atos, a mesma que reside naquelas letras açucaradas da página institucional do poder que está à frente.

A prefeita Márcia Lucena não implantou seu discurso de moralidade em sua gestão por um fato grave: mantém contratos ativos com três empresas investigadas pela Operação Calvário. Isso mesmo! A tão propalada ação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba.

E como se não bastasse essa nódoa sobre a até então admirada prefeita, agravantes surgem. Ela já pagou mais de R$ 2 milhões às empresas contratadas e que estão sob investigação da Calvário. Para piorar o quadro, a gestora continuou firmando contratos com empresas que apresentaram irregularidades no Tribunal de Contas do Estado (TCE) à época que esteve como secretária de Educação do Estado.

Em resumo, Márcia Lucena “levou” para o Conde a “dúvida” que ela já conhecia e resolveu, no mínimo, negligenciar o perigo. E aqui faço uma observação: nada justifica um agente público estar em contato com os que praticam ilicitudes, muito menos contratar os mesmos para “servir” o povo.

Utilizando um eufemismo barato, Márcia foi “encantada” pela hipnótica sede de poder que Drácula vem lançado sobre o indefeso Conde e sua população desprovida de alho e água benta. Pobres podres poderes. De resto: vade retro Satana!

Leia matéria que mostra toda a documentação que atesta a problemática citada no artigo:
Prefeita de Conde já pagou mais de R$ 2 milhões a empresas citadas na Calvário

 

Eliabe Castor
PB Agora

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