Vamos combinar: Ricardo Coutinho nunca foi rico, e está muito longe de ser um milionário. Então, onde terá ido parar aquela montanha de dinheiro que, segundo as investigações da Operação Calvário, foi arrecadada pela suposta Orcrim Girassol Socialista?

A perguntinha faz sentido, sim senhor. Afinal, é muito dinheiro desviado do erário e, tendo esta origem, é da conta de todos nós, contribuintes mortais.

É grana o suficiente para tornar o mais miserável dos homens num ser abastado e de elevadíssimo padrão de vida. A menos que, é claro, tenha se evaporado ou caído nas mãos de um Robin Hood qualquer. Mas não vimos, lemos ou ouvimos nada a respeito de nenhum cavaleiro medieval generoso andando por ai despejando grana para os pobres. Já houve despejo de grana, em João Pessoa, é bem verdade, mas foi em outros tempos e não era para ajudar pobreza nenhuma…

E se esta grana tiver sido usada para bancar a eleição do governador João Azevedo, àquela altura candidato do Projeto Girassol Socialista? Já pensaram?!
Agora, sejamos justos: João Azevedo, mesmo em meio a tudo isso, é tido e havido como um cidadão de bem, de integridade moral a toda prova; contra ele quem ninguém sequer ouviu falar nada que seja capaz de abalar a sua conduta moral. Neste ponto, e quanto a sua competência como técnico, meio-mundo e a mulher de Seu Raimundo são unânimes.

O problema é: e se a sua eleição tiver sido bancada com dinheiro proveniente do tal propinoduto local?

É aí onde a porca torce o rabo.

Fato ou boato?

Depois que estourou a etapa Juizo Final, da Operação Lava Jado, que levou gente grande pra cadeia e vasculhou a vida de outros, nas redes sociais e nas esquinas começou um zum-zum-zum de que a família do governador João Azevedo estaria lhe aconselhando a renunciar ao cargo para o qual nunca havia sonhado ser guindado.
Eu não só li a respeito nas mídias sociais, como ouvi nas ruas e, ontem, um interlocutor me ligou para saber se eu tinha conhecimento deste suposto fato.

Eu não tinha, não acredito que seja verdade, e acho que certamente não acontecerá.
No que uma renuncia ajudaria a João Azevedo, caso ele tivesse culpa em alguma coisa inerente ao que a Operação Calvário investiga? Renunciar não ajudaria em nada. Pelo contrário, sem caneta ele ficaria mais vulnerável ainda.

Agora, que João precisa fazer uma limpeza geral, livrando-se de todos aqueles que estiveram pelo menos próximo do núcleo hoje cercado pela Calvário, não resta a menor dúvida.
Até para não dar a impressão de que estaria “acoitando” acusados ou investigados pela Calvário.

Desmoronamento

Nos meios políticos e jornalísticos de João Pessoa não se fala em outra coisa: o estrago decorrente das investigações da Operação Calvário já é muito maior do que até então se supunha. Parece até que a sua sétima fase, a Juízo Final, deu início ao efeito dominó que não tem hora para terminar.

E dizem na Boca Maldita da Duque de Caxias que muitos dos que hoje apontam o dedo para Ricardo Coutinho, pode arrumar as malas que terá visita às 6 da manha. Alguns deles notórios traidores que, ao primeiro instante do rompimento de João Azevedo com Ricardo, mudaram de lado.

O primeiro já está envolvido até o gogó, o tal Adivaldo Rosas, segundo o organograma montado com base na suposta Orcrim Girassol Socialista. Rosas foi guindado ao Palácio da Redenção como troféu de uma grande conquista. Parecia, até, que nada tinha a ver com o projeto.

Foi o primeiro a se ferrar, ao ser chutado do posto para onde fora orgulhosamente convidado.

Delação

Eu ainda continuo achando que há uma possibilidade de Ricardo Coutinho não ser preso e, portanto, responda a tudo em plena liberdade. Achismo, hein gente!
Agora, se me perguntarem o que seria o pior a acontecer, eu responderia com o que coloquei há dois dias no meu Instagram: uma delação premiada de Ricardo Coutinho transformaria a Paraíba num “moi de ferro velho”.
Inclusive levando no rodo as mais “sagradas” instituições…

PS: Dizem as más línguas que tem magistrado sem dormir…

 

Wellington Farias

PB Agora

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