Um dos conceitos básicos da Geometria é que a menor distância entre dois pontos é dada por uma reta. E, para tal afirmação, não há qualquer dúvida, desde que não surja um impasse da “lógica”. Mas ele veio. E esse estorvo tem nome e cargo: trata-se do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PSL), e aqui falo não como crítico do seu governo, ou um belo amante da dita e chamada “esquerda”, estando no “pedestal” o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Mas a pauta não é Lula e, sim, Bolsonaro. Mais especificamente sua objeção ao Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Nordeste (Consórcio Nordeste), que visa, principalmente, estabelecer parceria entre os nove estados da região para agilizar, facilitar e baratear processos burocráticos, além de permitir ações conjuntas em temas como o desenvolvimento social, econômico e ambiental.

Além desses aspectos importantes, não por revanchismo ou separatismo, o Nordeste, por ser geograficamente mais próximo da União Europeia que do próprio Mercosul, tem a possibilidade de manter relações comerciais com esse mercado. Um público amplo, vigoroso e vantajoso. A lógica é colocar o que pode ser importado ou exportado na balança, tendo como “única” barreira física o Oceano Atlântico.

Note, leitor, o custo de um produto manufaturado na Paraíba, e esse mesmo ser fabricado em um estado que faz fronteira ou está próximo aos países andinos. É claro que o valor para a compra e venda dessa mercadoria, pondo todas as alíquotas, será bem mais “salgado”. O Nordeste tem franca desvantagem. Aliás, essa problemática é secular. E aqui, repito, não estou a discutir revanchismo ou separatismo.

Por esclarecimento, o governador João Azevêdo, na ocasião do Consórcio, lançado em Salvador no fim de julho, observou que o implemento não se trata de uma retaliação ao governo do presidente Jair Bolsonaro, que não vem recebendo bem essa equação política e econômica.

Sabe-se que o “mandatário” do país; por seu mau desempenho político na região, prega um discurso controverso em relação ao povo nordestino, embora seus aliados tentem aplacar sua ira contra o povo da “cabeça grande e chata”. Ele chegou a falar a seguinte asneira em relação ao Consórcio: “Os governadores da região pensam que o país é o Nordeste e o resto. Querem fazer disso aqui uma Cuba?”.

E no final de toda essa ópera bufa, entre os governadores nordestinos, é João Azevêdo que pode ser a voz da região, por estar a Paraíba cotada entre um dos estados mais equilibrados financeiramente do país. Além disso, João Pessoa desponta como uma das melhores capitais nordestinas para se viver e investir.

Em suma, o Consórcio é viável, a economia nordestina tende a ganhar com a parceria, e Bolsonaro vai colocar fogo nas ventas para barrar ações que não estejam de acordo com seu gosto. Para ela vale suas convicções. Não o que é benéfico para o Estado. Pelo menos é o que vem demonstrando.

Como se vê, o Consórcio tem futuro. A Paraíba idem. Só não vê quem não quer.

PARLATÓRIO

Luis de volta ao Sistema Arapuã

O ex-secretário de Comunicação da Paraíba, Luís Torres, aponta sua ida, pelo que a coluna apurou, para o Sistema Arapuã de Comunicação. Alguns próximos ao ex-gestor aconselharam uma “quarentena”, a fim de “assentar a poeira”. Mas o martelo já está quase batido. É o que se comenta nos bastidores.

 

Eliabe Castor
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