As últimas 24h relacionadas à política paraibana foram marcadas por descortesias, surpresas, ataques e defesas dos principais protagonistas do cenário político do estado. Ainda tivemos a pesquisa PB Agora/Datavox que apontou aqueles que figuram como favoritos a vencer o pleito na Capital nas eleições de 2020. E aí não falo se alguém declinará de uma possível postulação. Vou me ater aos resultados observados e expostos pela consulta.

E aqui faço um adendo: todos os pontos estão ligados uns aos outros. Desde os ataques do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) ao seu sucessor, João Azevêdo, que desembarcou da nau socialista na manhã desta segunda-feira, até os nomes bem referenciados na pesquisa PB Agora/Datavox.

Os nomes que cito estão no comunicador Nilvan Ferreira (sem partido), em franca disputa percentual com o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PSDB). Ainda há na moldura o deputado federal tucano Ruy Carneiro, e Walber Virgolino (Patriota), que ocupa uma cadeira na Assembleia Legislativa da Paraíba.

Agora vamos separar as partes e dissecá-las, como fez Jack, o Estripador. Pseudônimo mais conhecido para designar um famoso assassino em série não identificado que atuou na periferia de Whitechapel, distrito de Londres, e arredores em 1888.

Primeiro as falas de Ricardo Coutinho e João Azevêdo. Aliados por mais de uma década, oficializaram o rompimento de forma dramática. Primeiro o ex-governador, em entrevista a uma emissora de TV da Capital, fez várias observações e acusações contra seu sucessor, que foram desde faltar com a verdade até sua suposta fragilidade nas urnas, não tendo condições de chegar ao cargo eletivo de vereador sem o amparo do líder socialista.

Respondendo o fogo de artilharia, Azevêdo, em nota emitida no momento da sua desfiliação do PSB, foi mais ameno em suas palavras por não citar diretamente Ricardo Coutinho. Mas os mísseis teleguiados tinham e têm como alvo o ex-governador.

João Azevêdo falou em democracia, golpe no PSB paraibano e sabotagem a seu governo vinda de socialistas de “proa”. E foi mais além: no final da mensagem lia-se “Ditadura nunca mais!” em letras garrafais. Pela forma ácida do texto, o governador expôs toda sua mágoa a Coutinho e aqueles que estão ao seu lado.

Ponto continuado, sigamos para os números da pesquisa PB Agora/Datavox. O cenário é indefinido, pois aqueles que lideram a consulta, Ricardo Coutinho e Cícero Lucena vêm insistindo que não serão candidatos, expondo, cada um, seus motivos individuais.

É importante observar primeiro a postura de Coutinho. Suas aspirações estão em 2022, buscando um confronto direto com Azevêdo. Mesmo que o socialista girassol busque camuflar a intenção, evidências apontam para esse embate, cuja pintura da tela em aquarela ainda pálida recebeu suas primeiras pinceladas na entrevista bombástica do ex-governador.

Ricardo Coutinho sabe que, caso entre no pleito do próximo ano, e por ventura vença, dará a João Azevêdo e oposição telhado de vidro para críticas. Experiente, ele não buscará se expor. E Cícero Lucena? Bem, essa é uma boa história. Uma interessante indagação. O ex-prefeito, mesmo informando que não buscará mais o horizonte da política, a cada dia chega mais perto dela.

Visita comunidades, concede entrevistas a veículos de comunicação, participa de eventos do seu partido como general. Para quem não busca uma postulação, o segredo é a “reclusão”. O silêncio dos inocentes. Mas a “inocência” não está presente em Cícero Lucena. Habilidoso, deixa o “gosto” palatável que não quer, mas pode ir para um embate político em 2020 caso o povo solicite.

Agora vamos analisar Nilvan Ferreira. Carismático, homem “midiático”, empolga as massas por não ser um político de carreira. Seria a chamada terceira via para um público específico que busca romper com o tradicional. E em todo o Brasil temos exemplos que emplacaram, como o comediante Tiririca, o ex-BBB “Jean Wyllys”, que acabou renunciando o cargo de deputado federal por supostas ameaças e o ex-jogador da Seleção Brasileira, Romário.

Ainda no páreo, lado a lado, o deputado federal Ruy Carneiro e seu colega estadual Walber Virgolino. Perfis diferentes, o primeiro já disputou a prefeitura de João Pessoa em 2004, sendo vencido por Ricardo Coutinho. Não havendo, realmente, o desejo de Cícero buscar a candidatura, tem relativa densidade eleitoral e pode surpreender, caso seu partido alinhave de forma correta uma aliança partidária competitiva.

Já Virgolino surgiu na “onda Bolsonaro”. Conservador, sua estada na Assembleia Legislativa agrada seu público. Evidente que, como Ruy, pode crescer, desde que formalize corretamente um arco de alianças, havendo, aí, a importante figura do vice que irá apresentar.

E nesse passeio público nas alamedas políticas, quem caminhar de forma correta, terá chances. Aquele que tombar, sairá do jogo. Será eliminado das partidas do porvir relacionadas a 2020 e 2022, pois uma está ligada a outra.

Eliabe Castor
PB Agora

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