A influência política e econômica da cidade de João Pessoa em relação ao Estado paraibano veio tardiamente. Atrelado de forma intrínseca à Capitania Hereditária de Pernambuco desde o seu nascedouro, por ser a Paraíba apenas um apêndice aos interesses da coroa real portuguesa, a Capital deu seu primeiro e raro “suspiro” na chamada Primeira República, quando Venâncio Neiva governou o “Sublime Torrão” entre os anos de 1889 e 1891, pelo então Partido Moderador Brasileiro.

Mas é claro que o suspirar não retirou as amarras e grilhões da Cidade da Paraíba, atual João Pessoa. Além da forçada dependência pernambucana, a Capital sempre foi “receptora” de pessoas vindas de outros municípios paraibanos, em especial as localizadas no Brejo, Sertão e, claro, Campina Grande e compartimento da Borborema. Mesmo com os esforços de Antônio Alfredo da Gama e Melo, que esteve à frente do poder entre 1896 e 1900, pouco pode fazer para o desenvolvimento da sua cidade natal.

Na “Era Vargas”, que perdurou no poder entre os anos de 1930 e 1945, outro pessoense se elevou ao cargo de governador, ou, se preferir, interventor federal. Foi ele Antenor Navarro, que, por ser indicado, resumiu seu mandato a questões administrativas e de interesse econômico do Governo Federal. Após um considerável vácuo, eis que surgiu o Regime Militar, havendo seu início em 1964, permanecendo até 1985. E nesse “panteão de governadores biônicos”, figura na lista, apenas, o nome de Tarcísio Burity como pessoense.

O “professor” bem que tentou governar, mas sua autonomia era limitada, mesmo pertencendo aos quadros do partido querido dos militares, qual seja: o PDS. Após os “Anos de Chumbo”, já na Nova República, Tarcísio Burity voltou a administrar a Paraíba entre 1987 e 1991, dessa vez pelo voto popular; havendo, na sua ótica administrativa, um cuidar especial com a Capital paraibana.Seus mandatos foram marcados por grandes obras e incentivo à cultura. Construiu o Espaço Cultural José Lins do Rego, o novo Mercado de Artesanato da Paraíba, o Centro Turístico, via litorânea de Intermares, Hemocentro da Paraíba, novo Terminal Rodoviário de João Pessoa e o Hospital de Trauma da Capital.Ainda na sua administração construiu o maior programa habitacional da história, com 50 mil casas construídas. Na Capital, alguns dos bairros mais populosos, como Mangabeira, Valentina e Geisel foram “paridos” por ele. Após esse ápice de desenvolvimento e importância política, João Pessoa retroagiu, havendo um período de estagnação social, política e econômica preocupantes.

Só em 2005, com a eleição de Ricardo Coutinho a prefeito, João Pessoa retornou ao protagonismo político. Ele governou a Capital até 2010. Após esse feito, o pessoense nascido no bairro de Jaguaribe governou o Estado da Paraíba entre 2011 e 2019, implementando um modelo de gestão que colocou o município pessoense no patamar de uma das capitais de melhor qualidade de vida do Nordeste.Ainda há o prefeito Luciano Cartaxo, que está no cargo desde 2013, construindo sua carreira política em João Pessoa, apesar de ser filho natural de Sousa. Vereador por quatro vezes da Capital, foi deputado estadual e vice-governador. Agora é a vez de João Azevêdo, 51° governador da Paraíba, ter seu berço de nascimento como uma das principais metas da sua gestão.E não é apenas a força de Azevêdo que demonstra o protagonismo político de João Pessoa em todo o Estado. Na Assembleia Legislativa existem nomes cujo reduto eleitoral é forte, ou o seu principal “coletor” de sufrágios é considerável na Capital, a exemplo de Eduardo Carneiro, Cida Ramos, Felipe Leitão, Estela Bezerra, Walber Virgulino, Hervázio Bezerra, João Gonçalves e Edmilson Soares.

Na esfera federal, nomes como os deputados Frei Anástácio, Ruy Carneiro estão vinculados umbilicalmente com a cidade de João Pessoa. E como se vê, a Capital paraibana saiu de uma mera peça de reposição, um “patinho” feito; uma cidade administrativa, para ser a força motriz econômica, cultural e política do Estado.É bem certo que Campina Grande, e em menor escala regiões, não municípios isolados, ainda “rivalizam” com João Pessoa, mas essa tendência tem diminuído exponencialmente, muito em decorrência do aumento da população de João Pessoa, seja ela “nativa”, ou não. E nessa equação, o domicílio eleitoral contabiliza, e muito.

Eliabe Castor
PB Agora

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