O problema é antigo, e não se pode culpar, de forma simplória, a figura do prefeito Luciano Cartaxo em relação à retirada dos camelôs que buscam, a todo custo, modos de sobrevivência nas ruas inseridas no Centro de João Pessoa. Também não se deve tachar o Ministério Público como instituição “desumana” por ter recomendado ao Executivo municipal a retirada dos trabalhadores informais que ocupam o passeio público da capital, notadamente a região central da cidade.

É ponto pacífico que os ambulantes minimizam o espaço das calçadas, atrapalham os transeuntes, concorrem diretamente com os comerciantes formais, e de certa forma contribuem para o caos sonoro e ambiental no Centro de João Pessoa. Por outro lado, esses “seres” quase “invisíveis” aos olhos da sociedade estão na labuta clandestina, se é que posso utilizar tal termo por falta de opção. Estão ali “exilados” pelo desemprego e, não havendo outras opções, são “tragados” pelo comércio informal.

Verdades já postas à mesa, entro com os talheres da problemática envolvendo prefeitura e camelôs. Foram abertos prazos para uma solução pacífica visando desocupar as ruas. E aí surge outro  conhecido problema que põe em invólucro quase inviolável e beligerante o diálogo pouco diplomático entre as partes, estando a intolerância como rainha suprema na discussão. 

 O Executivo municipal não soube agir assertivamente, apreendendo no silêncio da madrugada mercadorias, carroças e toda sorte de “implementos estruturantes” dos comerciantes informais. Resultado? Bem, foi o esperado! Muitos protestos, desespero, choro, gritos e uma turba enfurecida com o prefeito Luciano Cartaxo e seu secretário de Desenvolvimento Urbano, Zennedy Bezerra.

Foi Zennedy Bezerra que atuou na ponta para a desobstrução do passeio público. Parte do centro foi “limpo”, mas a que preço político e social?

Em época não muito distante, estavam ao lado dos camelôs exatamente Cartaxo e Zennedy.  Eram atuantes e buscavam proteger essa categoria contra os chamados “bombados”, uma alusão pejorativa aos funcionários da Secretaria de Desenvolvimento e Controle Urbano.

Cartaxo e Zennedy eram figurinhas carimbadas dentro das fileiras petistas na época das “desocupações’ promovidas pelo ex-prefeito Cícero Lucena. “Falavam” pelo povo, por estarem ao “lado” do próprio povo. 

Discurso belo quando Luciano Cartaxo era vereador neófito de João Pessoa, sendo Zennedy seu fiel escudeiro. Um Dom Quixote, outro Sancho Pança, só que às avessas. 

Agora cabe a Cartaxo e Zennedy entenderem que discursos poéticos são diferentes quando se governa a capital paraibana. Resta aos dois darem suas delicadas mãos às palmatórias do mundo, dialogar com a Câmara Municipal, Ministério Público e, claro, com a parte mais interessada e frágil desse embate que, obviamente, são os camelôs.

Será a partir desse gesto democrático que envolvidos no imbróglio podem chegar a um ponto pacífico, não penalizando os trabalhadores informais e, sim, oferecendo estrutura para que os mesmos possam comercializar seus produtos sem sobressaltos jurídicos e administrativos vindo do poder público. De resto, após alocarem os camelôs, não mais permitirem que tal fenômeno se repita e que as ruas sejam invadidas pelo desespero, novamente. 

Eliabe Castor
PB Agora

 


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