Aliados e até mesmo auxiliares próximos de Jair Bolsonaro estão em alerta absoluto com o impacto negativo e catastrófico causado pelo presidente em toda malha social do país. Até mesmo entre muitos apoiadores fervorosos do seu (des) governo existe insatisfação.

A preocupação reside nos atos e gestos do ocupante do Palácio do Planalto em incentivar as manifestações, cumprimentar simpatizantes com as mãos e pregar o fim do isolamento social em meio à pandemia de coronavírus que ele classifica como sendo uma “gripezinha”.

Bolsonaro, “amante” obcecado da cloroquina, vem contrariando propositalmente, com toques de “sadismo”, as recomendações de autoridades médicas, organismos internacionais que buscam minimizar as perdas de vidas causadas pelo Covid-19 e do próprio ministro da saúde, Henrique Mandetta, e de toda a sua equipe técnica.

Sua postura se assemelha a teimosia infantil de colocar a mão no fogo, mesmo sendo orientado pelos pais, que as chamas queimam e a dor virá no exato instante do contato. Bolsonaro é um presidente de um só mandato. Sua impopularidade é descomunal, inclusive dentro do próprio ciclo militar, salvo exceções como o linha dura Augusto Heleno, hoje o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

E no balanço das horas, hoje li (sem assombro ou surpresa) que o ainda mandatário do Brasil foi dar um passeio pelas ruas de Brasília. Simulando um gesto altruísta, falou com ambulantes, foi ao comércio que segue aberto (farmácia, supermercado, posto de gasolina) e visitou o HFA (Hospital das Forças Armadas).

Gesto inconsequente, principalmente vindo de um presidente da República bem mais preocupado com seu desempenho das redes sociais, no agradar megaempresários e na conservação do capital político e eleitoral que lhe restou em detrimento à vida do povo brasileiro.

Traiu seu discurso de posse

Empossado presidente da República, Jair Bolsonaro prometeu, em discurso no Congresso, fazer um governo “sem divisão e discriminação”. Mentiu! Desde o dia 1º de janeiro de 2019 polarizou, ainda mais, os embates políticos e ideológicos com seus desafetos e adversários, terceirizando a culpa das mazelas nacionais à imprensa e todos aqueles que julga ele serem “insensatos” e “conspiradores” do seu governo e do próprio país.

Pacote econômico para proteger informais, micro e pequenas empresas é risível

Medidas tímidas estão sendo tomadas pelo governo federal para minimizar a crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus. Serão aplicados R$ 147,3 bilhões em medidas emergenciais para socorrer setores da economia e grupos de cidadãos mais vulneráveis, além de evitar a alta do desemprego.

Desse valor, R$ 83,4 bilhões devem ser destinados à população mais pobre e/ou mais idosa.

Para os banqueiros, tudo!

Para combater os efeitos negativos da pandemia do coronavírus sobre o sistema financeiro, o Banco Central já anunciou a disponibilidade de R$ 1,216 trilhão para os bancos brasileiros.

A cifra, divulgada na segunda-feira, 23, pelo próprio BC, equivale a 16,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Socorro bem mais acentuado para uma meia dúzia de magnatas.

Carreta da MORTE

A carreata da MORTE “desfilou” em frente à minha residência. Fui para a calçada observar. Todos os “manifestantes” em belos carros, vidros fechados em ambiente climatizado e esterilizado. Muitos com máscaras. Ninguém saiu dos veículos. Não houve contato social. Fiquei sem entender.

Ministro da Saúde e sua equipe desafiam o presidente

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, apresentou possíveis cenários no Brasil para a pandemia do novo coronavírus. Em rota de colisão com Bolsonaro, vem defendendo abertamente o isolamento social para garantir que o setor público e privado hospitalar não entre em colapso, como já foi configurado na Espanha e Itália, chegando a problemática nos Estados Unidos.

Em reunião com Bolsonaro e outros ministros no sábado (28), Mandetta disparou: “Estamos preparados para o pior cenário, com caminhões do Exército transportando corpos pelas ruas? Com transmissão ao vivo pela internet?”.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, Luiz Henrique Mandetta estaria disposto a criticar ações de irresponsabilidade praticadas pelo chefe do Executivo federal. Bolsonaro ameaçou que, vindo as críticas, ele demitiria o ministro da saúde. Uma clara atitude de mostrar uma “força” política que a cada dia míngua.

Bolsonaro plagia Luis XIV

“O Estado sou eu” (no original “L’État c’est moi”) a frase vem da boca absolutista do Rei Luís XIV (1638-1715).

Também conhecido como Rei-Sol, Luís XIV governou a França entre 1643 e 1715. A frase proferida traduz o espírito de um período histórico onde havia uma centralização total do poder na figura do rei.

Bolsonaro, mesmo fora de um contexto histórico já sepultado, preferiu plagiar o rei francês, numa versão capenga e ególatra, ao disparar, em um dos seus arroubos inconsequentes: “Eu não peço certas coisas. Eu mando. Por isso que sou presidente”.

Esquece o homem da “gripezinha” que foi o processo democrático que o colocou na presidência, cujo mesmo poderá tirá-lo nas eleições de 2022. Isto é: caso um processo de Impeachment não surja após o findar da pandemia.

Eliabe Castor
PB Agora

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