Por pbagora.com.br

Bolsonarista de carteirinha, o empresário Artur Bolinha se filiou ao PSL em novembro de 2019, até então o mesmo partido de Jair Bolsonaro. Pouco menos de 15 dias depois, o presidente anuncia sua desfiliação da sigla. A partir de então Bolinha vivia um dilema.

Permanecer ou não permanecer filiado, já que sua ideologia era 100% bolsonarista?

Existia, pois, um ponto ‘G’ no caminho. G de Gulliem Charles Bezerra Lemos, nome verdadeiro do deputado federal Julian Lemos, que foi o responsável por abrir as portas do PSL em Campina Grande e jogar o tapete vermelho para o empresário entrar e disputar a prefeitura da cidade.

Diante da briga de Julian com os filhos do presidente e o impasse envolvendo o distanciamento do próprio Bolsonaro da sigla, Bolinha tomou a decisão e pagou para ver. Optou pelo PSL, incluindo Julian no pacote. Agora sofre as consequências dessa decisão.

Foto: Reprodução / Instagram / arturbolinhapb

Na visita relâmpago do presidente a Campina Grande, esta semana, Bolinha só conseguiu arrancar um contato meteórico com o presidente. Nesse cara a cara, todavia, extraiu uma confirmação desoladora– não poderá contar com a simpatia daquele que tanto apoiou e defendeu nas eleições de 2018.

Bolsonaro teria confidenciado a ele, no pé do ouvido, que seu candidato, naquela corrida, seria o candidato apoiado pelo prefeito Romero Rodrigues, leia-se Bruno Cunha Lima (PSD). Ou seja, por conta da conjuntura – do ponto G (Julian) no meio do caminho – ficava impossível Bolsonaro estar no mesmo palanque que seu ex-braço direito.

Foto: Leonardo Silva/Paraibaonline

Bolinha atirou no que viu e acabou acertando no que não viu. Em novembro do ano passado chegou a dizer que não se importava com a saída de Bolsonaro do PSL nem estava preocupado com o apoio do presidente. Mas, bastou Bolsonaro posar ao lado de Bruno para esbravejar que o concorrente surfava em uma onda que não era dele.

Sem um mito para chamar de seu, Bolinha agora corre o risco de contabilizar mais uma derrota em sua carreira política. Está há mais de uma década em busca de um espaço público. Por enquanto, mostra que só consegue ter êxito mesmo no setor privado.

CUTUCADA

A disputa em Campina Grande, que andava meio morna, ganhou sua primeira cutucada entre adversários. A responsável por movimentar o pleito na cidade foi a candidata Ana Cláudia Vital do Rêgo, do Podemos, que criticou o sumiço do adversário Bruno Cunha Lima (PSD) por furar o compromisso de entregar ao Conselho Municipal de Saúde da cidade as propostas para o segmento. Bruno nem enviou representante, tampouco propostas.

DEBATES

Criticado por decidir não participar dos debates eleitorais, o ex-governador Ricardo Coutinho resolveu colocar a culpa na mídia, que, segundo ele mente para o povo e o persegue. “Toda mídia se uniu contra mim. Tem programa que é lixo puro”, disse.

JUSTIFICATIVA

O socialista ainda alegou que os últimos embates eleitorais a que assistiu apenas comprovou o nível baixo do qual ele se dá ao direito de não participar.

“Eu particularmente, me dou o direito, pela perseguição que sofro nos veículos de comunicação, de escolher entre aqueles que eu possa ir ou que eu queira ir porque se tem uma pessoa aqui dentro de João Pessoa e da Paraíba que é conhecido por aquilo que pensa, pelas suas realizações, pela sua postura, sou eu”, completou.

ESPAÇOS

Apesar do número de candidatos ser grande na disputa pela prefeitura da Capital, o debate vai se afunilando apenas entre meia dúzia deles que, vez por outra, ganham os holofotes, seja por alguma declaração, seja por alguma adesão. Os demais agem como se apenas cumprissem tabela, já articulando possíveis alianças em um segundo turno do pleito. No cara a cara, os próprios postulantes acusam uns aos outros de ‘trocarem figurinhas’ com adversários em um jogo escancaradamente camarada.

Márcia Dias

PB Agora

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