O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, precisa tomar muito cuidado e ser politicamente habilidoso, daqui pra frente. Cartaxo não pode incorrer nos mesmos erros cometidos nas eleições de 2018, em que saiu do processo desgastado e pequeno demais se comparado com a liderança que poderia ter sido, tanto pela trajetória que construiu como pelo importante cargo que exerce de administrador da Capital da Paraíba.

Cartaxo, desta vez, não poderá errar tanto quanto em 2018. Nas eleições passadas ele saiu menor enquanto líder político, em decorrência da derrota que seu grupo sofreu nas urnas. Naquela momento, pelo menos, o prefeito da Capital ainda tinha dois anos de mandato pela frente. Em 2020, não será assim: Luciano Cartaxo precisa reconstruir a sua liderança, elegendo um sucessor de sua escolha pessoal, ou, pelo menos, um candidato aliado ao seu esquema político. Do contrário, estará fadado até a um ostracismo político. Afinal, em perdendo tudo em 2020, além de ter acumulado duas derrotas consecutivas, ainda ficará sem mandato por pelo menos dois anos.

Talvez seja mais prudente para o prefeito de João Pessoa – que até 2018 tinha uma trajetória só de vitórias – repensar o seu plano de voo, quem sabe até se reencontrar com aliados e grupos com quem historicamente esteve afinado ideologicamente.

Luciano Cartaxo, convém lembrar, começou a perder fôlego e a desconstruir uma carreira política vitoriosa quando se divorciou dos setores progressistas, optando por se aliar, ou mais que isso, indo a reboque, de oligarquias, de setores conservadores e até de trapaceiros bastante conhecidos da política da Paraíba.

Questão de tempo

O que parece mais prudente ao prefeito de João Pessoa, a essa altura do campeonato, é, em primeiro lugar, não protelar a decisão por um nome de sua preferência à sua própria sucessão. Afinal, esse lenga-lenga, esse deixa-pra-depois, e a débil alegação de que “ é tempo de governar, não é tempo de fazer campanha”, deram no que deram nas eleições passadas.

Cartaxo estava exatamente nesta indecisão – ou apenas estrategicamente adiando as coisas – quando o senador José Maranhão, numa entrevista a Michele Souza, na Rádio CBN, simplesmente pôs titica no ventilador, ao se declarar candidato ao governo do Estado. Ali começou o desmantelo de Cartaxo e aliados.

A partir dalí, Cartaxo começou a perder densidade, se enfraquecer até que a sua pretensão de concorrer ao Governo foi pelos ares.

Oposições

Aliás, não só Luciano Cartaxo, como todo o bloco que compõem as oposições ao Governo, poderão novamente levar peia com força, em 2002, se cometer os mesmos erros; se os egos falarem mais alto, e se as indefinições passarem do ponto.

 

Wellington Farias
PB Agora

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