“A Paraíba vai ter a oportunidade de julgar não o grau de parentesco, mas de julgar a história. Não basta ser irmão gêmeo de alguém para dizer se tem ou não competência de gerir o Estado”. A afirmação partiu do então candidato ao governo da Paraíba, João Azevêdo (PSB), referindo-se à postulação de Lucélio Cartaxo (PV) a chefe do Executivo paraibano em 2018, à época seu principal adversário político.

Azevêdo fez um paralelo envolvendo o Lucélio e seu irmão Luciano Cartaxo, prefeito de João Pessoa, que também compõe as hostes do partido Verde e que, em alto e bom som, informou meses atrás que seu partido terá candidatura própria na disputa pelo Executivo da Capital em 2020. Em tempo, os Cartaxo utilizaram de todos os expedientes lícitos de uma campanha eleitoral para desqualificar a competência técnica de João Azevêdo durante o pleito, o que não foi suficiente para impedir a vitória do candidato socialista.

Agora o leitor pode estar indagando o motivo da minha pessoa trazer à tona assunto pretérito. E aí explico: um “afago” do líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Barbosa (PSB), que teceu comentários positivos quanto à gestão da secretária de Habitação de João Pessoa, Socorro Gadelha, no programa Arapuan Verdade.

O registro foi exposto na coluna do jornalista Luis Torres nesta quarta-feira, ao classificar a intervenção do parlamentar como “o amor está no ar”, buscando no vernáculo da língua inglesa algo similar posto no título das suas considerações: “ Love is the air: Líder de João Azevêdo liga para parabenizar trabalho de secretária de Cartaxo”.

Em leitura básica, nada impede que alguém ligado ao governador João Azevêdo envie considerações pautadas em elogio quando um gestor se destaca, seja aquele agregado à prefeitura de João Pessoa ou de outro município paraibano. Trata-se de um gesto republicano e atual, afinal, uma das funções primordiais do Legislativo é fiscalizar o Executivo.

E nessa conjuntura ninguém errou ou traiu seus respectivos “espectros” ideológicos e partidários. Foi, só então, um gesto à afabilidade. Assim como João Azevêdo, Ricardo Barbosa, político experiente na arte do bem conviver, entende que o projeto político do governador João Azevêdo passa longe da “casa” dos Cartaxo. E isso ficou claro no embate de 2018.

E aqui observo que o eleitor atual não acredita mais na política do “boi voando”. Hoje, a coerência com o discurso implementado por anos e referendado nas urnas é ponto crucial para um sucesso do “porvir’. Perder a palavra é cometer suicídio eleitoral. João Azevêdo sabe, Ricardo Barbosa tem certeza.

E o povo? Bem, esse só observa, e muito.

Eliabe Castor
PB Agora

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