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Alta costura

Recordo-me, quando estudava no colégio Pio X, de um professor que procurava seguir à risca a sua função, a de educador. Aproveitava suas aulas para, além de lecionar física, educar através do exemplo e ensinamentos para o nosso cotidiano. O que sempre me intrigou foi o jeito, à época, de pensar sobre os “caminhos certos” da política. Obviamente, tinha muito mais experiência do que eu, que, aliás, tinha unicamente a compreensão, pelo ouvir, dos conceitos de meu pai.

O professor, homem integro e de bom coração, não perdia a oportunidade de discursar com veemência sobre temas como reforma agrária, coronelismo, burguesia e revolução das “classes oprimidas” sobre as “classes opressoras”. Usava uma estrela no peito e, como um jovem entusiasta que talvez outrora tenha lutado contra ditadura, achava que a única maneira de tornar o mundo mais justo era aplicar todos os conceitos Marxistas.

Além desse professor, posso hoje, após quase 18 anos, citar outras tantas pessoas que também acreditavam nessa utopia. Vendiam broches de estrelinhas vermelhas, camisa e outros tantos artefatos, doavam uma parte do seu salário – quase como um dízimo – com o intuito de divulgar, arregimentar militantes e angariar recursos para promover suas campanhas. Hélio Pereira Bicudo representa bem todos esses antigos “companheiros”.

Atualmente, essas práticas deram lugar a campanhas milionárias. Os militantes, por sua vez, estão em excelentes cargos públicos, com exceção, é claro, dos íntegros, como meu professor, que pensavam lutar por uma causa e se frustraram.

O estilista Alexandre Herchcovitch, nascido na mesma década que eu, possivelmente escutou seus professores discorrerem sobre temas semelhantes. Talvez até tenha participado do “Fora Collor”, mas acredito que hoje tenha suas próprias convicções políticas.

Alexandre Herchcovitch teve sua trajetória na moda brasileira construída em pouco mais de dez anos de carreira. E, logo, o estilista e sua marca tiveram uma grande repercussão e reputação no mundo da moda brasileira e internacional.

Em agosto deste ano, o estilista anunciou que havia sido procurado pelo comitê de campanha de Dilma para que trabalhasse como seu personal stylist e lhe propusesse um novo guarda-roupa. Herchcovitch chegou a tirar medidas de Dilma, mas corre à boca miúda que não agüentou trabalhar com a candidata.

Contudo, a alta costura não deixou a campanha petista. Costuraram alianças com Collor, Sarney dentre outros antigos adversários. São acusados de produzirem dossiês, de os seus militantes angariarem recursos para “campanha” através do “dizimo” de fornecedores dos órgãos sobre os quais são “responsáveis”. Tentaram e tentam costurar a boca da imprensa. Costuraram tudo, inclusive chavões e imagem distorcida sobre seus verdadeiros ideais.

Estima-se o gasto de R$ 31 milhões apenas em campanha de rádio e TV. A campanha do “amealhar” acabou! Mas, pelo jeito, “o Brasil vai seguir mudando”.

A novela Tititi, apesar de vários pontos em comum com essa campanha, não gastará R$ 31 milhões em sua produção. Na trama Ariclenes se traveste do costureiro Victor Valentin, se apodera das obras de uma velha com distúrbios mentais. Para adquirir fama, implanta noticias falsas na mídia e cria toda uma encenação pra ter sucesso. Na realidade, Dilma se traveste de Lula e se apoderara da sua popularidade para obter o sucesso.

Não permitam que costurem seu raciocínio!
 

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