O escritor Lúcio Marcos da Costa (na foto ao lado) lançou na noite chuvosa desta 6ª feira, o livro intitulado “Aeroclube da Paraíba – 70 Anos – Uma História de Vida”, em solenidade realizada no hangar principal no próprio Aeroclube, localizado no bairro do Bessa, em João Pessoa. O que mais se ouviu, na ocasião, foram críticas ao prefeito Luciano Agra (PSB).

Pronto para briga nos tribunais

O livro tem prefácio do comandante de aeronaves Milton Alves, posfácio do brigadeiro-do-ar reformado Carlos Barbosa e orelhas escritas na contra-capa pelo governador do Estado, José Maranhão (PMDB), que também é piloto-aviador e um dos sócios da instituição aeronáutica. O setor jurídico da entidade já está tomando as medidas cabíveis que o caso da recente desapropriação de sua área útil merece, na Justiça local.

Aviadores rejeitam mudança

Durante o evento, Lúcio Costa descartou a possibilidade técnica da remoção do Aeroclube para outro local, em permuta com um terreno público pertencente ao Estado ou à Prefeitura Municipal de João Pessoa, nas imediações da praia de Jacarapé ou no finalzinho do conjunto Valentina de Figueiredo (perto do loteamento Colinas do Sul ou de Mussumagro, já na saída para a praia do Sol).

Remoção nunca deu certo

Os exemplos de outros aeroclubes que foram retirados de suas localizações originais, aqui mesmo na Paraíba ou em outros Estados, aponta para a falência dessas atividades, em caso de mudança de sede e campo de pousos e decolagens. Lúcio cita o Aeroclube de Campina Grande, hoje praticamente desativado no distrito de São José da Mata e o Aeroclube de Salvador-BA, que fechou suas portas após se mudar para a ilha de Itaparica, no litoral baiano.

Cobertura da cúpula da Aeronáutica

Ele ressaltou que Aeroclube possui uma Escola Federal de Aviação, autorizada pelo Comando da Aeronáutica, que deu laudo técnico favorável ao funcionamento dessa instituição de ensino, destinada à formação profissional de jovens pilotos e brevetagem de futuros comandantes de aeronaves maiores, pertencentes a empresas que exploram comercialmente linhas aéreas de âmbito doméstico e também rotas internacionais.

Alçada é do Governo Federal

Lúcio Costa explica que – ao contrário do que muita gente pensa – o Aeroclube não tem natureza jurídica meramente associativa, de caráter simplesmente recreativo, de entretenimento, mas que a instituição é credenciada como prestadora de um serviço público concedido pelo Governo Federal.

Ex-alunos voam até no estrangeiro

Atualmente, há pilotos que foram formados pelo Aeroclube da Paraíba voando em empresas de aviação na China, Tailândia, Indonésia e outros países da Ásia e Europa, além nas companhias brasileiras TAM, Gol e ex-Varig, a exemplo do comandante de Boeing Fernando Heleno Filho.

Culpa da especulação imobiliária

Lúcio acha que toda esta polêmica gerada em torno do decreto de desapropriação assinado esta semana pelo prefeito Luciano Agra (PSB) é originária da parte de alguns empresários imobiliários e da construção civil, que vêem a sede e o terreno do Aeroclube como se fosse um cifrão brilhando bem na frente dos seus olhos e não como escola formadora de futuros aviadores, pára-quedistas e aeromodelistas.

Prefeitura permitiu expansão

O ex-presidente da entidade garante que há convênios firmados entre o Aeroclube e a própria prefeitura municipal de João Pessoa, há anos, permitindo o pouso e decolagem de aviões de pequeno e médio porte inclusive nas áreas de escape ao lado das cabeceiras 34 e 16, onde existe um cone imaginário a partir do eixo da pista, com cerca de 45º de margem de segurança (à direita e à esquerda, no começo e também no final do perímetro asfaltado), justamente para evitar que aeronaves que saiam do seu curso normal colidam com prédios, carros, pedestres ou edifícios, em caso de acidente, como o ocorrido recentemente com um ultraleve modelo Paradise, de caráter experimental, com menos de dez horas de vôo-teste.

Força Aérea Brasileira apóia

Rômulo Carvalho, presidente do Aeroclube da Paraíba, também esteve presente à solenidade, depois de retornar de uma viagem à Caracas (capital da Venezuela), e confirmou que recebeu ótimas notícias do COMAR – Comando Aéreo do Ar (órgão militar do Governo Federal, vinculado à FAB – Força Aérea Brasileira), onde em documento emitido no mês de outubro deste ano, o CINDACTA (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) confirma o que já sabiam os pilotos e pára-quedistas filiados à entidade, ou seja: a grande maioria dos prédios construídos no entorno do aeródromo não oferecem riscos à aviação, nem tampouco aos moradores da região.

Só dois prédios estão fora do padrão

Apenas o residencial Amitai e o seu prédio vizinho, construído por trás do primeiro edifício e com pouco mais de 3 metros acima do limite permitido pela legislação e normas de segurança em vigor, é que estão irregulares, segundo a perícia realizada pelos técnicos em navegação aérea e segurança de vôo que trabalham no COMAR/CINDACTA, sediado em Recife-PE, na base operacional do setor de vigilância por radar do Aeroporto Internacional dos Guararapes.

Pilotos civis formam reserva militar

Os aeroclubes funcionam em todo o País com base em determinados aspectos da antiga Lei de Segurança Nacional, sendo reconhecidos também como escolas formadoras de pilotos de guerra inscritos na reserva da FAB (Força Aérea Brasileira), em caso da incidência de algum conflito internacional, além de suas habituais atividades estritamente destinadas à sociedade civil.

Exército e Marinha utilizam a área

O escritor, que também é ex-presidente do Aeroclube do Bessa, explica que esses aeródromos não são apenas sodalícios sociais, mas sim verdadeiras escolas-do-ar, em todos os sentidos, servindo – inclusive – como base operacional para treinamentos de soldados da Brigada de Pára-quedistas do Exército, Academia da “Esquadrilha da Fumaça”, alunos da Escola de Aviação Naval da Marinha de Guerra e cadetes formados pelo Grupamento de Helicópteros da Base Aérea de Natal-RN, além do Esquadrão de Caça sediado no aeroporto dos Guararapes, no Recife-PE.

Experiência político-administrativa

Lúcio já foi coordenador do antigo “Projeto Cidadania”, criado na época do ex-governador Antônio Mariz (PMDB, já falecido) e seqüenciado pelo governador seguinte, José Maranhão (do mesmo partido dele), entre os anos de 1995 e 1996. O programa baseado na Chefia da Casa Civil era orientado pela mesma linha da “Ciranda de Serviços” recriada nos dois mandatos do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB).

Pesquisa de nível acadêmico

O livro dele possui cerca de 300 páginas e foi publicado pela Editora Universitária da UFPB, recheado com fotografias, mapas aéreos, recortes de jornais e vários documentos, como diplomas, decretos, ofícios com papel timbrado, telegramas, etc, o que confere rigorosa pesquisa cientifica lastreando sua narrativa.

Preservando a história da aviação

Lúcio classifica sua obra como sendo um documentário histórico e expositivo relevante, pertinente à Aviação Mundial e Desportiva Paraibana, desde os primórdios, numa seqüência cronológica, vindo do seu nascedouro até os dias atuais, constituindo-se num valioso caleidoscópio literário, formado por fatos humanos inesquecíveis e de grande distinção, ao longo de mais de meio século de existência.

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