Por pbagora.com.br

EXCLUSIVO – Corrupção, oportunismo e mentiras. Para a maioria dos brasileiros, características diretamente associadas à atividade política. O que faz do político – seja ele honesto ou não – um criminoso suspeito por profissão. Não por menos o nível de desconfiança do político, quase sempre envolvido em escândalos, atinge patamares superiores a qualquer outra instituição do Brasil.

Na Paraíba, onde se respira política, não é diferente: 82% dos paraibanos não confiam nos políticos. É o que revela pesquisa feita em todo o Estado pelo Instituto Opinião, contratado com exclusividade pelo PB Agora. Foram ouvidas 1.985 eleitores em 80 municípios. Cerca de 82,6% dos entrevistados disseram que os políticos são “pouco confiáveis”.

De longe, o índice é bem superior à desconfiança da população em relação à Polícia (58,9%), Sindicatos (48,7%), Imprensa (36,6%) e Igreja (25,5%).
De acordo com a pesquisa, o índice de desconfiança com os políticos é maior entre os jovens e cresce proporcionalmente entre aqueles mais bem informados, que é caso dos eleitores com curso superior e que recebem acima de dez salários mínimos.

Entre os jovens de 16 a 24 anos de idade, categoria para qual se atribui “o futuro do País”,a rejeição aos políticos chega a 87,5%, conforme pesquisa do Instituto Opinião na Paraíba.

 

Políticos se defendem, mas “exageram” nas promessas

Para os políticos, tudo não passa de um processo excessivo de “criminalização”, que tende a generalizações. Para estudiosos no assunto, a questão é muito mais do que separar o joio do trigo. Trata-se de compromisso.

“Os políticos, mesmo os mais honestos, tendem a incorrer geralmente num erro: prometem mais do que podem cumprir”, declara o cientista político Lúcio Flávio, professor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba. Segundo ele, a velha máxima “promete, mas não cumpre” torna o político um mentiroso por natureza.

O ideal, segundo ele, seria que os políticos pudessem ser mais realistas. Nada de prometer o “fim do desemprego” ou “uma fábrica de chuvas”, como se tem visto por aí. Bastava dizer o que realmente é possível fazer. E, principalmente, fazer.

“O curioso é que o índice de reeleição não condiz com a rejeição dos cidadãos com os políticos. Percebemos que, a cada eleição, o nível de reeleição se mantém acima dos 50%, o que é uma incoerência porque o povo não acredita nos políticos mas continua votando nos mesmos”, completa.

 

Ataques mútuos contribuem para o descrédito, avalia cientista político

Para o cientista político Lúcio Flávio, professor da UFPB, há outro aspecto que contribui para o descrédito da população quanto aos políticos: os ataques mútuos.

“Os políticos são os únicos que fazem, de forma constante e regular, acusações entre si, revelando documentos e denúncias de todos os tipos. Em nenhuma outra categoria do Brasil, seja entre os juízes, na polícia, na Igreja, entre os professores, há tanta acusação mútua”, destaca Lucio Flávio.

Ele lembra que a luta pelo poder, estabelecida na democracia, favorece a um ambiente onde há uma explicitação das acusações. Cenas, por exemplo, como a dos ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acusando-se de “impossibilitados de dar lição de moral” são raríssimas no Judiciário, por exemplo.

“Na política, elas são constantes: os que acusam são acusados. E isso favorece a descrença”, declara Flávio.

O caso se encaixa em milhares de exemplos da nossa política. Em claro que escândalos como o do Mensalão, dos Anões do Orçamento e das passagens aéreas sempre reforçam a descrença. Os políticos se beneficiam do poder e denunciam uns aos outros pelos benefícios que recorrem. Em suma, nem eles acreditam em si mesmos.

 

VEJA OS NÚMEROS DA PESQUISA OPINIÃO

Na sua opinião, qual o seu nível de confiança nas seguintes instituições ?

POLÍTICOS


Muito confiável – 1,1%

Confiável – 10,4%

Pouco Confiável -82,6%


Não sabe – 3,2%
 

Não respondeu – 2,7%

 

IGREJA

Muito confiável – 16,9%

Confiável – 49,1%

Pouco Confiável – 25,5%

Não sabe – 5,4%

Não respondeu – 3,1%

 

SINDICATO

Muito confiável – 2,9%

Confiável – 23,8%


Pouco Confiável – 48,7%


Não sabe – 17,6%

Não respondeu – 7,0%

 

POLÍCIA

Muito confiável – 2,4%

Confiável – 32,3%
 

Pouco Confiável – 58,9%

Não sabe – 3,4%

Não respondeu – 3,0%

 

IMPRENSA

Muito confiável – 8,2%

Confiável – 48,3%

Pouco confiável – 36,4%

Não sabe – 4,7%

Não respondeu – 2,4%

 

FONTE: Instituto Opinião Pesquisas Sociais LTDA 

 

Luís Tôrres


PB Agora

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