Por pbagora.com.br

Em Sapé, às 22h, nem criança nem adolescente pode ficar fora de casa. Na cidade do interior da Paraíba, só a polícia está na rua. O toque de recolher já é lei no local. Sapé está entre as cidades que têm o maior número de abusos sexuais na Paraíba.

A dona de casa Jacicleide Santos concorda com a lei. “Se eles obedecessem à mãe como a mãe deseja, seria melhor ainda”, diz.

Ruas, bares, nada pode escapar dos olhos dos policiais. Em um antigo ponto de encontro de caminhoneiros, agora todas as cabines de caminhão são fiscalizadas. Parece que o toque de recolher está dando certo. A ordem de proibir que menores de 14 anos fiquem na rua depois das 22h é da juíza da Infância e da Adolescência Aparecida Gadelha.

Após serem abusadas em casa, elas partem, até como uma fuga, para se prostituírem. Então, nós queremos evitar essa prostituição, que já é um segundo estágio muito danoso para esses adolescentes”, explica a juíza.

O combate sem trégua ao abuso sexual se espalhou pelo brejo paraibano. O problema é tão grave que professores e conselheiros tutelares tomaram uma providência urgente e atraente: eles se transformaram em atores e botaram o pé na estrada.

E como todo artista, a trupe também vai aonde o povo está. E não importa o tamanho do lugar, se é uma cidade ou um vilarejo. O que não pode é ficar longe da plateia.

A peça foi sugerida pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O tema é um alerta: ninguém deve se calar. O abuso sexual não pode ser tolerado.

De qualquer lugar do Brasil, quem precisar de ajuda em casos de abuso sexual, é só discar 100.

O drama é real para todos. A promotora da Infância e da Adolescência Fabiana Lobo só sai do gabinete onde trabalha com proteção policial. São muitas as ameaças de morte feitas por abusadores.

“A partir da divulgação da peça e da necessidade de se denunciar os casos de abuso sexual e prostituição de crianças e adolescentes, nós conseguimos triplicar o número de denúncias”, conta a promotora.

Entre quatro paredes, o segredo de uma mulher assombrou a cidade de Sapé. O abusador da filha, de 10 anos, dividia com ela o mesmo teto: é o próprio marido e pai da menina. Agora, mãe e filha desabafam.

“Eu acreditei nela porque eu cheguei a ver”, conta a mãe da vítima.

“Ele ia para o meu quarto. Eu acordava assustada e via ele. Eu pedia muito para ele sair. Só então ele saia”, lembra a vítima.

“Eu falei para minha família, mas ninguém acreditou em mim. Foi um momento muito difícil porque ele me ameaçava de morte”, conta a mãe da vítima.

Pai e marido, era ele quem sustentava a família. Hoje, sem ter onde trabalhar, a mulher e as duas filhas moram de favor em casa de parentes.

“Está valendo a pena porque eu não estou mais vendo minha filha triste. Agora eu vejo um sorriso no rosto dela que eu não via há dois anos. Vamos ver que esse mundo tem muito para nos dar e vamos vencer”, afirma a mãe da vítima.

“Quero uma vida de felicidade para mim e para minha família e que ele crie juízo para nos deixar em paz e viver a vida dele”, deseja a vítima.

 

 

Globo.com

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