A situação da Defesa Agropecuária da Paraíba é extremamente preocupante. Apesar de sua importância para a saúde humana e a saúde animal, carece de quase tudo, tornando o Estado vulnerável a surtos de doenças contagiosas. Até funcionários já morreram vítima de acidente de trabalho por falta de material apropriado.

É o mínimo que se pode concluir de um relato feito à coluna pelo médico veterinário Ramifran Gomes de Oliveira, da Defesa Agropecuária em Catolé do Rocha, que tem jurisdição sobre dez municípios.

A propósito, com tamanha responsabilidade, o órgão não dispõe sequer de um veículo para locomoção da equipe encarregada de promover fiscalização, vacina e uma série de outras atividades fundamentais para a saúde pública.

O próprio Ramifran foi vítima de um acidente de trabalho, que denota o grau de vulnerabilidade a que a equipe está sujeita por falta de material apropriado para segurança do trabalho. Baixo, ele próprio relata o que aconteceu.

O que é

A Defesa Agropecuária é um órgão fiscalizador. Fiscaliza matadouros, produção e circulação de laticínios, vacinação de animais etc. Quando um animal está cometido de doença transmissível também para humano, se faz o sacrifício; quando animal está doente de raiva é feita a vacinação e a investigação epidemiológica e, especialmente, o controle da Febre Aftosa, que é uma coisa séria.

Segundo o médico veterinário Famifan, a febre aftosa é um problema sério economicamente falando. Se houver na Paraíba um surto desta doença será um problema sério para o Brasil, porque somos o maior exportador de carne bonina do mundo, um dos maiores de carne suína, que são animais susceptíveis a estes males. Se houver surto aqui todo oi País será prejudicado.

Em Catolé do Rocha há o ponto de inspeção, que fica dentro da Defesa Agropecuária, e tem a unidade local de sanidade animal e vegetal, que foi sucateada ao longo dos anos. Sem profissionais porque alguns foram aposentados e outros foram embora.
Falta tudo dentro do sistema: material de expediente, material de atendimento a focos de doenças, material, veículos etc. “Vivemos num total abandono. Ministério da Agricultura cobra, mas estamos indo na contramão da história”, explica o veterinário.

Acidente

O próprio Francisco Ramifran detalhe o acidente de que foi vítima na sexta-feira passada:

“Tenho 15 anos de profissão. Pequenos acidentes acontecem, mas nunca um tão grave quanto este: eu estava a serviço da Defesa Agropecuária da Paraíba, sacrificando cinco equídeos. No quarto sacrifício, por uma falha de contenção o animal jogou uma das patas em mim, acertando o queixo e o Tórax. Fui nocauteado instantaneamente, após o susto e as dores. Tenho que Agradecer ao Grande Arquiteto do Universo por não ter sido algo mais Grave, tendo em vista que já perdemos vários colegas com acidentes semelhantes.

Mas o desabafo vem em relação às condições de trabalho e salariais da Defesa Agropecuária da Paraíba (SEDAP). Sou concursado desde 2006 lotado na ULSAV de Catolé do Rocha, sem dúvida alguma nesses 13 anos vivenciamos o nosso pior momento. Vamos pontuar:

A quase dois anos a Unidade Local de Sanidade Animal e Vegetal (ULSAV) de Catolé do Rocha não tem Veículo. Para ir fazer o sacrifício desses animais foi necessário o dono dos mesmos ir me buscar no carro dele. Não temos material de sacrifício, tranquilizantes e afins, fiz com produtos do meu uso pessoal.

A Ulsav só tem um médico Veterinário e um Agrônomo. Não temos técnico nem agente administrativo. Impressora funcionando graças ao Nosso agrônomo que também é chefe e compra do Bolso, lâmpadas, material de limpeza etc. Diárias não tem.
Iniciamos a segunda etapa da campanha de Vacinação, sem material de divulgação, anexo 13, veículos etc.Salários, além de ser um dos piores do Brasil a muitos anos sem aumento. Não temos crachás, farda, carteiras que nos identifique como fiscais agropecuário.

A muito tempo a defesa vem atuando pelo esforço e comprimento de seus funcionários, mas muitos desmotivado e fazendo concursos para outros estado e nos deixando, por isso temos um déficit muito grande de Profissionais.

A pergunta que fica, se esse acidente tivesse sido mais grave que assistência teríamos da SEDAP?, Tendo em vista que recentemente o nosso Colega Aldecy sofreu um acidente de carro em trabalho, e não tem assistência nenhuma, ele dirigindo porque não tem o cargo de Motorista na Defesa Agropecuária.

Nosso prédio onde funciona precisando urgente de uma reforma elétrica e hidráulica. Como a agropecuária da Paraíba pode se desenvolver com um serviço tão sucateado como o nosso?

Trabalhamos com saúde pública, zoonoses, qualidade de alimentos. Tenho certeza que falo em nome dos colegas que queremos respeito e dignidade para exercemos nosso trabalho com afinco e paixão como já foi em outrora.

 

Wellington Farias

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