O presidente Jair Bolsonaro dessa vez foi longe demais. Com uma narrativa genocida, ele radicalizou quando, em pronunciamento em cadeia nacional nesta quarta-feira (24), foi na contramão de todas as decisões dos estados brasileiros e autoridades sanitárias e de saúde e disse que estava na hora de as pessoas voltarem ao seu trabalho. Para o deputado Jeová Campos (PSB), a fala do presidente foi extremamente irresponsável, inconsequente e descabida e coloca a população brasileira frente a um ‘suicídio em massa’. “Hoje o Brasil já tem 46 mortes confirmadas pelo novo coronavírus e os números dobram a cada dia e diversas entidades já emitiram nota de repúdio ao presidente reiterando que é necessário e vital que se permaneça no isolamento social nesse período da pandemia”, reitera o parlamentar.

Para Jeová é inacreditável que o presidente ignore essa pandemia que já provocou mais de 18 mil mortes no mundo desde que apareceu em dezembro. “As pessoas não podem voltar a sua normalidade agora, reabrir escolas e os comércios seria ampliar as chances de disseminação do vírus. Essas duas semanas são imprescindíveis, depois se reavalia. Será que cientistas e pesquisadores e todo o pessoal da saúde estão errados e só o presidente e parte de sua equipe estão certos?, questiona o deputado.

Para ele, enquanto todo o resto do mundo pede que as pessoas fiquem em casa. o presidente diz o contrário. “Isso é um verdadeiro genocídio. Bolsonaro não deve desqualificar as indicações sanitárias, as autoridades de saúde, inclusive, as orientações de seu próprio ministro da Saúde. Dizer que essa pandemia é um uma simples “gripezinha” beira o absurdo e é de uma estupidez sem precedentes. Além de estar sendo irresponsável e inconsequente, Bolsonaro está brincando com a vida das pessoas, inclusive, da dele próprio”, destacou Jeová.

O parlamentar salienta que muitas entidades vêm se posicionando a respeito do pronunciamento. Secretários de estado de Saúde do Nordeste manifestaram-se através de uma carta aberta repudiando o foco do pronunciamento presidencial. “Sabemos que iremos enfrentar uma grave recessão econômica, mas o que nos cabe lidar diretamente é a grave crise sanitária”, destaca a carta em um dos trechos. Noutro parágrafo, os secretários frisam que foram surpreendidos com as palavras do presidente na noite desta quarta-feira. “Percebemos com espanto os graves desencontros entre o pronunciamento do presidente e as diretrizes cotidianas do Ministério da Saúde. Esta fala atrapalha não só o ministro, mas todos nós”, destaca o documento assinado pelos secretários de saúde do NE.

A Sociedade Brasileira de Infectologistas – SBI também se pronunciou publicamente após o pronunciamento e emitiu uma “nota de esclarecimento” publicada nesta quinta-feira (25) dizendo que a fala de Jair Bolsonaro reduzindo o Covid-19 a um “resfriadinho” é insensata e que trará consequências graves, tendo em vista que o Brasil está numa curva crescente de casos, com transmissão comunitária do vírus e o número de infectados está dobrando a cada três dias. “Tais mensagens podem dar a falsa impressão à população que as medidas de contenção social são inadequadas e que a COVID-19 é semelhante ao resfriado comum, esta sim uma doença com baixa letalidade. É também temerário dizer que as cerca de 800 mortes diárias que estão ocorrendo na Itália, realmente a maioria entre idosos, seja relacionada apenas ao clima frio do inverno europeu. A pandemia é grave, pois até hoje já foram registrados mais de 420 mil casos confirmados no mundo e quase 19 mil óbitos, sendo 46 no Brasil”, diz o documento.

Mais adiante, os infectologistas reconhecem que a pandemia trará um impacto econômico, mas, assim como os secretários de saúde, também colocam a emergência sanitária em primeiro lugar. “Também concordamos que devemos ter enorme preocupação com o impacto socioeconômico desta pandemia e a preocupação com os empregos e sustento das famílias. Entretanto, do ponto de vista científico-epidemiológico, o distanciamento social é fundamental para conter a disseminação do novo coronavírus, quando ele atinge a fase de transmissão comunitária”, reforça a nota dos infectologistas, concluindo que a epidemia é dinâmica, assim como devem ser as medidas para minimizar sua disseminação. “Ficar em casa é a resposta mais adequada para a maioria das cidades brasileiras, neste momento, principalmente as mais populosas”.

Jeová Campos defende que os estados sigam as orientações até então postas: ficar em casa e cuidar da higienização. Ele lembrou que essa é a recomendação de todos os países que vem enfrentando juntos a pandemia. “Não podem estar todos errados. É um vírus, e como nos protegemos dele? Evitando aglomerações, lavando sempre as mãos, rosto, enfim, tomando todos os cuidados de higienização. Assim fez a China, que acaba de sair de sua quarentena, assim estão fazendo a Espanha, a Itália, os Estados Unidos, Argentina, França, Alemanha. O Brasil não pode seguir diferente disso. Parar duas semanas não vai quebrar o país, mas voltar as atividades normais agora pode causar danos irreversíveis para os brasileiros”, finalizou Jeová.

 

Redação

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