Por pbagora.com.br

Uma mulher ingere um alimento entregue pelo próprio marido. Ela passa mal, é socorrida e sobrevive. Ao procurar a delegacia, é submetida a um exame pericial que comprova: ela havia sido vítima de envenenamento. O resumo é de um caso real, ocorrido em João Pessoa, e esclarecido pela Polícia Civil da Paraíba com ajuda do Setor de Toxicologia do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC/PB).

Instalado em João Pessoa e Campina Grande, este tipo de laboratório tem a função de ajudar a polícia a esclarecer suspeitas de intoxicação ou envenenamento praticados contra pessoas que tenha morrido ou ficado feridas, por causas aparentemente naturais.

O setor é dotado de equipamentos considerados os mais modernos na área e dispõe de peritos criminais que passam, regularmente, por cursos de aprimoramento de técnicas de trabalho.

Em João Pessoa, o laboratório é coordenado pelo perito Rony Costa. Ele explica que o setor realiza exames em pessoas vivas, em cadáveres e até em produtos e objetos que podem ter alguma ligação com a investigação. Com ajuda dessas análises, a Polícia Civil pode descobrir se uma pessoa morreu de causas naturais ou se foi vítima de envenenamento ou intoxicação e, com a continuidade das investigações, se o caso se trata de um homicídio ou suicídio.

“Quando há suspeita de que a morte foi causada por envenenamento, por exemplo, os peritos procuram vestígios dessa substância. Para isso, realizam exames em amostras de sangue, urina e em órgãos humanos, até encontrar as respostas”, explica.

O laudo encaminhado à delegacia afirma qual substância foi encontrada no corpo da vítima e ainda dá informações que ajudam os policiais a descobrir a forma como a vítima teve acesso àquela substância que a matou. “Informamos de que forma determinada substância encontrada nas análises periciais é usada na composição de outros produtos, como produtos de limpeza, raticidas, agrotóxicos ou medicamentos, por exemplo”, afirma o perito.

Por ano, somente em João Pessoa, o setor de Toxicologia recebe uma média de 1.800 solicitações de análises. Em alguns casos, os peritos conseguem esclarecer as suspeitas em pouco tempo de trabalho. Mas nem sempre isso acontece. “Em alguns casos, podemos fazer até 12 análises diferentes e passar algumas semanas investigando”, afirma.

Em 2017, um caso que foi bastante veiculado na imprensa, ocorrido em Itabaiana, foi elucidado por causa das análises da Toxicologia, as quais esclareceram as mortes de três crianças da mesma família. Duas meninas e um menino, com idades entre 6 e 12 anos, foram vítimas de envenenamento que foi praticado, segundo a Polícia Civil, por uma amiga da família. A mulher foi presa pela Polícia Civil e foi denunciada pelo Ministério Público da Paraíba pelos homicídios qualificados. Ela ainda permanece recolhida em unidade prisional à espera do julgamento.

O delegado Felipe Castelar, que acompanhou o caso, disse que a perícia do Setor de Toxicologia foi essencial para a conclusão da investigação e decretação da prisão preventiva da acusada. “A perícia comprovou que as vítimas foram, de fato, envenenadas e que foi usado o mesmo tipo de veneno. A investigação da Polícia Civil constatou que a mulher teve acesso às vítimas e usou os mesmos modus operandi na ação. A mulher nega a prática dos crimes, mas as provas coletadas pela Polícia comprovam a materialidade e autoria dos crimes”, declarou

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