Por pbagora.com.br

Professores, intérpretes de língua brasileira de sinais (libras), representantes do Conselho Escolar, pais e alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental Antônia Rangel de Farias, localizada no bairro da Torre, participaram, na manhã desta segunda-feira (28), de uma reunião promovida pela Promotoria de Justiça da Educação para discutir a acessibilidade dos alunos surdos.

Na ocasião, a promotora de Justiça Vasti Cléa Marinho Costa Lopes também fez um inspeção na unidade escolar para averiguar a existência de intérprete na sala de aula onde estão matriculados os alunos com deficiência auditiva e a qualidade e regularidade do serviço oferecido a esses discentes.

De acordo com Vasti Cléa, a escola possui seis intérpretes para atender 29 alunos surdos matriculados em sete turmas do 3° ao 9° ano do ensino fundamental. Dos seis intérpretes, cinco trabalham pela manhã e são responsáveis por cinco turmas. À tarde, sete alunos surdos do 3° e 4° anos contam apenas com um profissional da língua de sinais. “As visitas têm o objetivo de fazer um diagnóstico sobre a situação do aluno surdo nas escolas. Os problemas, as sugestões e a cobrança por soluções serão feitas em outras etapas através de um termo de ajustamento de conduta que será firmado com a Secretaria de Educação do Estado. Essa primeira reunião foi muito participativa e positiva. A direção teve a preocupação de mobilizar a comunidade e espero que isso aconteça nas demais escolas. Senti a necessidade que os professores, os intérpretes e os alunos surdos têm de falar, de expressar as necessidades e expectativas”, avaliou a promotora.

Também participaram da inspeção à escola e da reunião com a comunidade escolar Waldira da Silva Nóbrega, da 1ª Gerência Regional de Ensino da Secretaria de Educação da Paraíba; a diretora do Sistema Universal Verbotonal da Audição Guberina (Suvag/UFPB), Benedita Dutra e representantes da Funad.

Obstáculos para a inclusão

Dentre os problemas apontados pelos alunos surdos como obstáculos para a promoção da educação inclusiva estão o número insuficiente de intérpretes na escola; o atraso no pagamento dos salários desses profissionais – o que os faz faltar com frequência ao trabalho, deixando os alunos surdos desassistidos – e a falta de apoio pedagógico especializado aos professores e maior capacitação dos intérpretes, já que muitos não têm o curso prolibras, oferecido pelo Ministério da Educação para facilitar a transmissão de conteúdos.

Para a promotora de Justiça Vasti Cléa Lopes, falta às escolas “um despertar” para a importância da inclusão. “É preciso uma consciência e um preparo maior do professor para favorecer a inclusão do aluno surdo. Ouvimos reclamações sobre a falta de interação e de entendimento entre o intérprete e o professor, inclusive na hora de avaliar o aluno surdo. O professor passa o conteúdo para o aluno ouvinte, na velocidade desse aluno e esquece que tem um aluno surdo e um intérprete na sala de aula. Falta também por parte da Funad, maior apoio pedagógico aos professores. Falta planejamento pedagógico voltado para o aluno surdo e, principalmente, a regularização da situação funcional do intérprete que deve ter seus salários pagos continuamente para que não haja descontinuidade do trabalho”, defendeu.
 

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