Pesquisa realizada pelo Laboratório de Percepção, Neurociências e Comportamento (LPNeC) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) analisa se jogos de videogame podem ocasionar um impacto positivo na visão.

O estudo é realizado pela mestranda Gabriella Medeiros, sob orientação do professor Natanael A. Santos e coorientação de Hemerson Fillipy Silva Sales. Ela conta que os jogadores de videogames de ação ativos apresentaram uma leve diferença quando comparados com os que não jogavam.

Essa diferença foi mais evidente em participantes que jogavam mais tempo durante a semana. Na prática, isto sinalizaria que os jogadores de videogames de ação poderiam identificar com mais facilidade detalhes finos de objetos em diferentes ambientes e condições de luminância.

“O interesse em estudar algo relacionado a videogames/jogos começou quando eu ainda estava no início do curso. Durante esse tempo apresentei duas revisões da literatura sobre o uso de videogames na reabilitação cognitiva. A partir desse momento me apaixonei pela área e estabeleci como meta que seria minha futura linha de pesquisa”, relata Gabriella.

O intuito da pesquisa é investigar se os jogos, sejam por tipo, tempo de jogo, ou nível de dificuldade, têm algum impacto nas funções visuais. Caso existam benefícios, é possível que o treinamento ou os games melhorem de alguma forma a percepção para uma faixa de frequências dos olhos.

Sendo comprovado, a gamificação (dinâmica de jogos) pode ter papel importante como remediar alguns aspectos visuais de transtornos neuropsiquiátricos ou alguma doença degenerativa.

Apesar de ainda ser ideia e hipótese inicial, esta pesquisa pode ter desdobramentos envolvendo diversas áreas como Medicina, Oftalmologia, Saúde Pública e, claro, as Neurociências.

De acordo com a mestranda, foi realizado um teste que investiga limiares para detecção de estímulos, ou seja, qual é a menor intensidade de um estímulo que o participante precisa para detectar algo (nesse caso seria a variação de padrões em forma de grades, ou barras, verticais).

Basicamente, o teste consiste em identificar o estímulo quando aparecendo ao lado esquerdo ou direito do monitor; esse estímulo, no entanto, varia em termos de contraste (maior ou menor) e padrão (diferenças dos tipos de estímulo de grade).

Segundo a pesquisadora, participaram do estudo 60 voluntários, com idade entre 18 e 36 anos, majoritariamente universitários. Os participantes foram divididos em dois grupos por meio de uma triagem rigorosa: isto é, 30 fizeram parte do grupo de jogadores de videogames ativos (atendendo ao critério seguido na literatura de jogar algum jogo de ação no mínimo cinco horas por semana nos últimos seis meses) e 30 integraram o grupo controle (para fazer parte desse grupo, de acordo com literatura, os participantes não deveriam ter jogado nenhum jogo nos últimos seis meses ou ter jogado no máximo uma hora por semana).

Essa parte da pesquisa aconteceu entre agosto e dezembro do ano passado, e a aplicação dos testes durava, em média, uma hora. É importante dizer que o tempo do teste depende das respostas do participante, então poderia durar entre 15-20 minutos, até aproximadamente uma hora.

“Encontramos diversos efeitos positivos, que, se confirmados através do estudo experimental, podem sinalizar o uso de videogames como alternativa em tratamentos para condições que afetem a visão”.

Ascom/UFPB

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