À medida que se aproxima as festas de final de ano, aumentou o número de vendedores ambulantes nas ruas do centro de João Pessoa. Sem entrar em nenhuma loja ou shopping, o pedestre pode encontrar nas calçadas roupas, calçados, relógios, óculos, celulares, sandálias, tênis, sapatos e cintos, além de frutas, caldo de cana e água de coco.

Dia após dia, as calçadas vão sendo tomadas, sem que haja um ordenamento por parte da prefeitura municipal da capital. Além das calçadas, os camelôs também estão invadindo os estacionamentos das principais ruas do centro de João Pessoa. Na Rua Santo Elias, por exemplo, um vendedor ambulante armou sua barraca no estacionamento reservado para “deficiente físico”, numa demonstração de total desrespeito às leis do trânsito.

“Do jeito que a coisa está, nós que andamos no comércio sentimos dificuldade em caminhar. Se a prefeitura pelo menos organizasse a instalação dos vendedores, os espaços para os pedestres estariam garantidos. Eu pelo menos entendo a situação deles, são pessoas desempregadas que precisam ganhar o pão de cada dia e prefiro vê-los comercializando seus produtos, do que comprando armas para fazer assalto”, disse o enfermeiro Feliciano Luiz.

Segundo o taxista Antônio dos Santos, a situação tende a ficar mais grave no mês de dezembro. Com os funcionários públicos e de empresas privadas recebendo o 13º salário, as calçadas tendem a ganhar mais vendedores ambulantes, piorando inclusive o trânsito, já que muita gente, em certos trechos, desce das calçadas para dividir o espaço com os veículos.

Nas ruas Miguel Couto, Almirante Barroso, Duque de Caxias, Santo Elias e imediações do Parque Solon de Lucena (Lagoa), caminhar está cada vez mais difícil e os condutores de veículos também começam a ficar irritados porque as pessoas são obrigadas a andar fora das calçadas em alguns pontos.

Para o vendedor ambulante Wallace Freire, que há mais de 20 anos vende água mineral e chip para celular na Rua Almirante Barroso, o número de camelôs aumentou em João Pessoa porque o desemprego continua alto. “Sei que estamos tomando os lugares dos transeuntes e temos que respeitar o direito de ir e vir das pessoas, mas para que isso seja feito, os poderes púbicos teriam que criar novos espaços para instalar os camelôs”, afirmou.

“Acho que eles estão realizando o trabalho deles de forma digna, mas a prefeitura da cidade deveria tomar uma atitude para pelo menos organizar os vendedores ambulantes de forma que eles não atrapalhassem as pessoas que frequentam o comércio. Essa desorganização não é boa nem mesmo para os próprios camelôs. Creio que eles gostariam de estar vendendo seus produtos num shopping popular”, afirmou a estudante Ilka Sousa Alves.

 

Redação

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