Sobre os fatos mais importantes inerentes ao SOS Transposição, evento realizado neste domingo (1º de setembro), na cidade de Monteiro, falamos na coluna anterior. Mas já que, com a aproximação das eleições 2020, a mídia prioriza o aspecto eminentemente político, e levanta a questão sobre o poder de fogo de Ricardo Coutinho fora do Governo, aqui vamos nós pitacar sobre o tema.

É razoável leitura segundo a qual o Ricardo Coutinho de hoje talvez exerça uma liderança maior do que quando estava no Governo. Sem as prerrogativas de ontem e em meio ao bombardeio midiático que lhe atribuiu ser “dono” do evento, levou milhares à cidade de Monteiro.

Quando era governador, Ricardo Coutinho ocupava o cargo mais poderoso do Estado; tinha uma caneta cheia de tinta; um Diário Oficial com número ilimitado de páginas em branco; uma gráfica bem azeitada; a prerrogativa de contratar e exonerar a seu bel prazer; uma bancada majoritária na Assembleia Legislativa, incluindo o seu presidente, além de uma boa fatia da mídia que não vive sem governo.

Sobretudo num Estado pobre como o nosso, em que a máquina administrativa é a grande patroa, com todo esse aparato até eu seria um grande líder e, se quisesse, arrastaria multidões para qualquer evento. Até para o aniversário da minha estimada cadela Lôla.

O difícil é permanecer líder sem esses privilégios; continuar despertando a atenção do público sem a força do mandato, fora de Palácio; manter o respeito e o prestígio sem as prerrogativas de um governante não é para todos. Poucos governadores da história recente da Paraíba continuaram líder do seu povo depois de passar a faixa ao seu sucessor. Exemplos: Pedro Moreno Gondim; João Agripino; Wilson Braga; Ronaldo Cunha Lima; e, agora, Ricardo Coutinho.

Detalhe: Tarcísio Burity está fora da lista porque, depois de um primeiro mandato que ficaria para a história – realizou um péssimo segundo mandato, de mãos atadas e cofres vazios, graças , a rasteira que levou da Assembleia Legislativa.

Voltando à questão do “fiasco” do SOS Transposição, convém perguntar: qual é o político da Paraíba de hoje com capacidade de arregimentar qualquer público para um evento, sem que tenha Palácio, caneta, Diário Oficial, uma bancada forte na Assembleia, pelo menos dois anos de mandato pela frente e, de quebra, ainda esteja em meio a um iminente rompimento político com o seu principal aliado e antecessor (no caso o governador do momento, João Azevedo)?

Do pequeno grupo que ainda exerceu liderança depois de perder a caneta de governador, Ricardo Vieira Coutinho é o único que, além de manter-se o maior líder do Estado, segundo pesquisa recentemente divulgada, desperta as atenções no cenário nacional, sendo constantemente chamado para os mais relevantes debates sobre a conjuntura política, social e econômica do Brasil.

A Paraíba hoje tem como mais expressiva liderança política, o ex-governador Ricardo Coutinho; e a maior autoridade do Estado, o governador João Azevedo. Ambos oriundos de um mesmo projeto, mas em via de um rompimento com o qual só quem perde é a Paraíba.

Militância

É incrível como alguns equivocados costumam analisar que tal evento que não é do seu agrado “foi um fracasso porque só tinha militante”. Vem cá, militante não é gente?
Ora, feliz do evento que reúne militante. Militante é gente com compromisso, público qualificado, com aspirações coletivas, com bandeiras pra carregar e pra defender.

À demain

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