Por Elcio Nunes

Me lembrei que estamos a viver uma semana especial, os cristãos a chamam de “Semana Santa.” Na verdade, não estou usando esse espaço para me referir a esse evento tão importante no mundo cristão, se me for dada oportunidade pelo Portal, pbagora.com.br, falarei sobre ela no meu próximo artigo. Queria me deter neste momento ao respeito e honra que deveríamos prestar aos nossos idosos. Visitando João Pessoa há cinco anos atrás, visitei as dependências de uma escola primária, no bairro Valentina Figueredo, à procura de um amigo que ali trabalhava como inspetor de alunos. Quando ele saiu e veio ao meu encontro, deparou-se com uma criança de oito anos de idade que estudava naquele estabelecimento de ensino e que naquele momento mostrava um mau comportamento. Ele tentou aconselhá-la, a mesma se voltou contra aquele inspetor que tinha seus 60 anos de idade de um modo altamente desrespeitoso. Regressei minha mente à infância vivida em escolas da minha João Pessoa e, fiquei estupefato com aquela atitude má de uma criança em relação a uma autoridade escolar. Em minha época o inspetor de aluno era respeitado, principalmente em escolas do governo (quem estudou no Luceu Paraibano, que o diga).

Um outro fato que me lembro, foi de um dia quando caminhava junto a minha mãe pela rua Duque de Caxias, me deparei com o Monsenhor José Coutinho, mais conhecido como o “Padre Zé Coutinho.” Ele era dedicado 100% a fazer caridade aos pobres, caminhava sempre numa cadeira de rodas por toda a cidade. Não o vi, porém senti a dor em minhas costas de sua vara pastoral disciplinatória e logo me disse: “menino mal educado, como passas por mim e não me saúdas dando-me a benção?” Minha mãe, simplesmente me pediu que lhe pedisse desculpas e me disse para não mais repetir aquela falta de atenção com os adultos e principalmente com um padre. Eu tinha nessa época uns dez anos, não me dei conta em 100% do que estava passando, porém, a dor da disciplina, me fez sempre recordar que devia respeitar os mais velhos. O velho padre, já falecido, era honrado na cidade de João Pessoa, tanto é que tem um instituto de ensino com o seu nome, o bairro São José recebeu o nome dele, o Hospital São José e uma rede de farmácias que também o honra (farmácia Padre Zé).

Quanto a adultos na família, nem se fala… o respeito era uma imposição sagrada. Me lembro que um dia fiz uma graça com o meu velho avô e ele me disse: “assim que seu pai chegar do trabalho, eu contarei sua falta de respeito para comigo”, não foi nada grave, porém ele não gostou. Eu fiquei abatido, pois sabia a dureza disciplinar do meu pai, nesse dia as missionárias betelinas Lídia Almeida, Raimundinha, Dóris Wodley e outras, que faziam o Betel Brasileiro, visitavam nosso bairro e nos havia ensinado que oração é falar com Deus e, o que pedíssemos com fé não duvidando Ele nos responderia.

Lembrei-me do ensino que nos foi dado debaixo de um pé de cajueiro no Bairro Cristo Redentor, estou me reportando há cinquenta e quatro anos atrás, procurei um lugar afastado, entrei num bosque com a idade de onze anos, me ajoelhei e pedi a Deus que me livrasse da fúria disciplinar de meu pai e que eu prometia a ele não mais repetir desrespeito à pessoa de meu avô, ao chegar meu pai ao meio dia do trabalho para almoçar eu tremi, porém, meu avô esqueceu o ocorrido e eu fiquei grato a Deus.

Na verdade respeitávamos aos idosos. Hoje me entristeço, com a falta de respeito que nossa geração dispensa a eles. Nossos idosos devem ser amados e apreciados. Eles são marcos de referência para todos nós, adolescentes e jovens. Levítico 19.32 nos diz: “Tu te levantarás reverentemente diante de uma cabeça com cabelos brancos; honrarás o idoso e tratarás sempre com elevado respeito todas as pessoas idosas. Temerás o Senhor teu Deus” (Bíblia Sagrada). Esse é um bom tema para meditarmos nessa semana especial e, ainda melhor, pois, até o dia 4 de abril, a Paraíba está a viver feriados antecipados. Haja tempo para trabalharmos em nosso interior, procurando o aperfeiçoamento na área do respeito mútuo, principalmente em relação ao ancião!

Por Elcio Nunes

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