Por Eliabe Castor

O meu tempo festeiro se foi há muito, mas particularmente hoje senti falta da minha infância quando ia a Campina Grande brincar o São João. Pois “guri”, como são chamadas as crianças em Villa Nova da Rainha, sempre existiam na rua que minha avó residia uma quantidade enorme de meninos e meninas. Além delas, a festa era incrementada por um número quase infinito de primos, não esquecendo o afago dos tios e tias.

Meu avô, de formação militar, detinha boa patente. Poderia ser ele carrancudo. E presumo que “poderia” ser, mas para quem me criou até os cinco anos de idade era eu seu neto amado. E naquele tempo ouvia o pipocar dos fogos tão logo o sol fosse tirar seu cochilo. Os olhos lacrimejantes e cheiro de fumaça me encantavam. Labaredas da fogueira, e, após chegar a fase das brasas, era a hora do milho assado.

Confesso que não lembro muito. Sei que vivíamos em um Estado cujos fardados eram os que ditavam as regras. E como eu falei, meu avô era um deles. Mas sempre dócil comigo. Presumo que o mesmo tratamento dispensava a seus comandados e civis. Sim, pois todo “milico” era considerado torturador. E isso é irreal, posso afirmar.

E hoje? Hoje é véspera de São João. Não há ditadura. Vivemos em uma democracia e, exceto o pessoal de pijama verde-oliva, o alto comando militar já reconhece que precisa se afastar do senhor presidente Jair Messias Bolsonaro, que plantava bombas nos quartéis e foi “retirado” do Exército por seu comportamento belicoso e baixo QI.

E não preciso falar dos filhos desse senhor. Criminosos ou quase isso. E o pai? Todos sabem, inclusive, os que apoiam seu governo; que ele está fazendo mais estrago ao Brasil que a praga bíblica dos gafanhotos. Viramos chacota em um planeta chamado Terra, e tenho certeza absoluta que meu amado avô teria vergonha desse governo sem eira ou beira.

Um homem que, buscando comover a Nação, mobilizou todo um aparato federal, com direito a helicóptero, agentes secretos, contingente militar e outras extravagâncias para render homenagem a um membro das Forças Armadas. Um (PQD). No jargão do Exército, um paraquedista.

E aqui rendo homenagem ao militar. Uma boinha vermelha (essa é a cor) do gorro que encobre a cabeça dos PQDs. Unidade de elite do Exército. Mas vamos aos fatos: também já fui militar por um breve período. Não me adaptei. Hoje civil pergunto o motivo do senhor presidente da República não ir a um, apenas um, funeral dos 51.502 mortes por coronavírus no Brasil?

Pelo contrário: ele deseja (ao que parece) mais mortes. Não há uma política sanitária eficiente no Brasil. Enquanto noutros países governos federais, estaduais e municipais se unem para combater uma pandemia, Bolsonaro quer abrir a economia. E faz sentido. Mas os exemplos vindos da China e Nova Zelândia (que aplicaram tal estratégia) são ineficazes. As mortes voltaram por lá.

Não estamos mais numa pandemia e, sim, numa crua e nua endemia. Não há como controlar. Só com a vacina. E ela, infelizmente, não existe. Para finalizar, hoje não há sanfona, muitos poucos fogos que escuto do meu quarto surdo e o lamento dos que perderam seus entes queridos para a Covid-19, enfermidade que tive. Foram 19 dias de dor e desespero.

Em tempo: para os que dizem que sou comunista, esquerdista, miliciano, agente de rachadinha; infiltrado da CIA meu pequeno patrimônio está às ordens. É só entrar em contato comigo pelo portal. Aí a gente faz uma comparação de contas. Alguém tem coragem?

E para os hipócritas: “Gostaria de uma sociedade mais justa, menos corrupta, com menos hipocrisia, mais digna, com mais amor ao próximo, menos preconceito, menos rancor e principalmente mais paz na alma”.

Foi um tal de Einstein que falou isso. Mas reconheço: quando não se conhece a história, apenas a acumulação de bens não é suficiente. É preciso ser Ser Humano. Ou nada vale o acúmulo de capital.

E lembrem-se do enterro de Carlos Magno

Conta-se que, à beira da morte, Alexandre teria convocado seus generais para lhes fazer três pedidos:

1. Que seu caixão fosse transportado pelos melhores médicos da época.

2. Que todos os tesouros conquistados (ouro, prata, pedras preciosas, etc.) fossem espalhados ao longo do percurso, até o seu túmulo.

3. Que suas mãos fossem deixadas fora do caixão, à vista de todos, balançando no ar.

Admirado com desejos tão insólitos, um dos seus generais lhe perguntou o que queria dizer com isso. Ao que, Alexandre respondeu:

1. Quero que os médicos carreguem o meu caixão para demonstrar que eles não têm poder sobre a morte.

2. Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que todos entendam que os bens materiais aqui conquistados, aqui também permanecem.

3. Quero que minhas mãos balancem ao vento para que se veja que, de mãos vazias viemos ao mundo, e de mãos vazias partimos.

Messias Bolsonaro jamais será comparado esse grande general e personagem da história e, sim, ao fascismo de Mussolini.

Eliabe Castor

PB Agora

Por Eliabe Castor

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