E o barco a vapor ainda desliza de forma macia no “Velho Chico”. Sim, ele está lá, com sua beleza oferecida graciosamente pela mãe água. Serra da canastra é seu berço, descanso; vastidão do Atlântico que engole aquele que um dia fez o imperador sonhar em matar a sede do povo nordestino e aplacar a ira solar do semiárido da região.

Séculos se passaram. Muitos sonhos e vidas se foram. Gerações inteiras tragadas pela falsa esperança da transposição, até ela vir. Sim, finalmente chegou a obra. Obra imensa, imponente e superfaturada. O domínio quase pacífico do homem sobre a natureza e assaltos recorrentes aos cofres públicos.

São Francisco, nome de santo. Santo dos milagres ternos e eternos em perfeita comunhão com a terra chamada “Planeta Água”. Francisco de Assis; visse ele sua oração quase não mais valer.

Oração jogada ao sabor das correntes do esquecimento em nome de pelejas políticas. Pobre santo. Tenho certeza que ficaria devastado, afinal, uma obra que deveria integrar, e não separar, padece pela ação nociva dos que pensam em si, não na coletividade.

São Francisco rogue pelo rio! Ensine aos homens de má fé suas palavras. Ore por eles. Insira no coração da ganância seus ensinamentos. “Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar do que ser consolado, compreender do que ser compreendido, amar que ser amado, pois, é dando que se recebe”.

Eixo norte, eixo leste. Bombas desligadas, obra inconclusa, fissuras no canal. Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro. Nenhum é pai ou mãe de Francisco, muito menos da transposição. A natureza deu ao ser humano uma vastidão de água doce.

São Francisco rogue por nós! Pobre Chico, pobre José e Maria. Pobre do povo. Povo de “gado” marcado por uma guerra insana que injeta a política partidária da discórdia naquele chamado pelos índios Opará, em Tupi, rio-mar.

São Francisco. Rio da unidade nacional. Rio que representa a força de todas as correntes étnicas do Brasil. Lula livre, Bolsonaro em sol quadrado. Ou ao contrário. Não importa para aqueles dependem de Chico. Não importa para milhões.

Senhores do poder, aqui um conselho das carrancas que protegem as embarcações que “cortam” Francisco: concluam a obra e abram as bombas antes que uma Hiroshima de sede e morte venha bater e abater, novamente, o povo da região.

Senhores “donos” do Universo, em nome de Francisco, o santo. Em nome do progresso de toda uma região, dêem as mãos, pois a linha tênue que separa o céu do inferno é perigosa, imperdoável e voraz.

O povo não quer política, ato político ou poder. Ele deseja, sim, água. Um copo de água moldado na ética, seriedade e compromisso social para toda uma região. Nada mais que isso.

Eliabe Castor
PB Agora

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