Por Wellington Farias

As lembranças do colega Martinho Moreira Franco estão, irremediavelmente, associadas a primorosos textos jornalísticos; às tiradas de humor, aos trocadilhos e aos melhores papos numa mesa de bar.

Também ao bom gosto pelo cinema, assim como ao cantor Roberto Carlos, de quem era seu fã incondicional. Na sua juventude, Martinho saltou o muro do Clube Astrea para assistir a um show do Rei.

Mas há uma constatação digna de registro, sobre o velho Kid Morengueira (apelido que ele ganhou do colega de redações da vida, Antônio Barreto Neto): embora tenha trabalhado para vários governos e gozado de muito prestígio nas hostes palacianas, Martinho Moreira entrou e saiu sem alterar em nada o seu modesto padrão de vida.

Em tempo: estamos pegando carona num mote levantado pelo jornalista Sílvio Osias, em sua prestigiosa coluna do Jornal da Paraíba. Uma abordagem diferente sobre Mogengueira, que merece ser reforçada, pelo caráter pedagógico sobre a melhor forma de lidar com a coisa pública: com honestidade.

Chapa branca
Depois de longa jornada pelas redações dos veículos de comunicação da Paraíba e da chamada grande imprensa brasileira, nas últimas décadas Martinho se tornou uma espécie de escriba oficial de vários governos.

Era íntimo do Palácio da Redenção e da Granja Santana – residência oficial do Governo da Paraíba. Tinha prestígio e, se quisesse, teria tirado o pé da lama, no sentido de enriquecer às custas do erário.

Martinho, porém, preferiu sair de mãos limpas de um ambiente que, nos últimos tempos, se tornou fonte de riqueza para muitos que chegam puxando uma cadela e, misteriosamente, saem do governo tão ricos quanto cínicos, para nunca mais voltar à pobreza.

Tem as exceções, claro que tem. Mas tornou-se regra chegar ali, enriquecer de repente e, mesmo saindo, não despencar do novo padrão de vida.

Ainda sobre ele
Martinho Moreira Franco era um ícone do jornalismo paraibano. Muito jovem e autoditada, foi selecionado para compor a primorosa equipe de jornalistas arregimentada por Mino Carta para a fundação da revista Veja, no tenebroso ano de 1968.

Moreira, portanto, foi o primeiro correspondente de Veja na Paraíba.

Embora fosse fã do Rei Roberto Carlos, a música que mais lhe tocava era “Por Causa de Você”, de Dolores Duran.

Um causo
O governador da Paraíba era Ivan Bichara Sobreira, o penúltimo do ciclo dos governadores biônicos. Homem bom, sensato, escritor, intelectual e, dizem, adorava assistir a desenhos animados todas as tardes.

Bichara se preparava para concluir o mandato, que culminaria com novas eleições. Amigos começaram a tentar convencê-lo de que deveria concorrer a uma cadeira no Senado.

O doutor Ivan era pessimista que só ele. Colocava sempre uma dificuldade sobre a sua possível candidatura.

Numa reunião decisiva, quando parecia que seus assessores já tinham removido todas as barreiras impostas pelo pessimismo do então governador, Ivan Bichara ainda se saiu com essa, vejam só: “Sim, mas quem é que vai carregar o palanque?”

Martinho Moreira, que era pra lá de paciente e respeitoso, não resistiu: “Governador, a esperança é a última que morre”.

Sem abdicar do seu pessimismo sem fim, Bichara rebateu:
“É, meu filho, mas morre…”

E a esperança morreu
Em 1978, Ivan Bichara Sobreira terminou se afastando do Governo para concorrer ao Senado, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), mas não logrou êxito nas urnas.
Ele foi substituído no governo pelo então vice-governador Dorgival Terceiro Neto.

Por Wellington Farias

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