Quem tem um pai, um filho, um irmão, um parente, ou amigo deficiente, sabe com quanto preconceito a sociedade trata este público.

O preconceito não está só na elite. Está em todas as camadas sociais e em todos os lugares: no Grotão, em Mandacaru, no Tabaco da Burra; da mesma forma, em Tambaú, no Bessa e na Avenida Cabo Branco. Em proporções e por razões diversas, mas por todos os lugares os preconceituosos são milhares.

Sobre o deplorável caso em que cinco senhoras da elite de João Pessoa procuraram a vereadora Helena Holanda (PP), para pedir a saída da orla do Cabo Branco projeto ‘Praia Acessível’, que promove a inclusão social de pessoas com algum tipo de deficiência, parte da imprensa tratou do tema com muito preconceito, embora tentando disfarçar solidariedade à causa dos deficientes.

Uma constatação sobre tratamento que parte da imprensa deu ao assunto: no noticiário, não (ou nem tanto), mas nos comentários, sai de baixo… Faltou pouco, muito pouco, pouco mesmo – como diria o célebre narrador esportivo Geraldo José de Almeida – para os pitaqueiros de plantão afirmarem que tudo não passava de uma armação da vereadora.

Por mais que tenha tentado, esta parte da imprensa não conseguiu esconder que compartilha do mesmo sentimento mesquinho. Afinal, a galera estava muito mais preocupada em (sutilmente) levantar suspeitas sobre a vereadora, do que propriamente condenar o procedimento das madames da Avenida Cabo Branco.

Até chacota fizeram sobre o caso, tentando passar a ideia de que ninguém – sobretudo as velhas damas cabobranquenses – seria capaz de tomar tal atitude, de tentar impedir que deficientes ocupem espaços na orla. Chegaram a argumentar, até, que seria difícil juntar cinco pessoas em torno desta mesma ideia, ou seja: com este mesmo grau de preconceito.

Ora, mais tá! Alguém tem dúvida de que, naquela Avenida, onde o que mais há é gente besta, por metro quadrado, não falte quem tenha até nojo de pobre e de deficiente de qualquer status social? Se parte deles deve até os cabelos da cabeça aos bancos, aí é outra história.

São todas as madames que querem ver os deficientes longe do se nobre espaço? Não, claro que não. É a minoria. Assim como não é toda a imprensa que comunga deste preconceito. É apenas uma minoria. Mas são minorias que fazem barulho e tentam influenciar as pessoas.

 

Wellington Farias

PB Agora

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