Por Wellington Farias

Não dá para entender porque tanta celeuma sobre a mais verdadeira afirmação que Cássio Cunha Lima já fez em toda a sua vida, ao dizer, em discurso de convenção, que o seu primo Bruno Cunha Lima (PSD) e o companheiro de chapa dele, Lucas Ribeiro (PP), são jovens oriundos da elite campinense.

Na convenção realizada no sábado passado em que os nomes de Bruno e Lucas foram homologados, respectivamente, como candidatos a prefeito e vice-prefeito de Campina Grande, Cássio Cunha Lima fez inúmeras referências aos dois quando a certa altura declarou: “Jovens talentosos, que têm espírito público, honestos, bem intencionados, competentes, vindos da elite desta cidade”.

Neste trecho do discurso, o tucano Cássio pode ter errado em tudo, menos que aqueles agora candidatos são jovens vindos da elite de Campina Grande. O que o ex-governador disse foi, como diria Nelson Rodrigues, o óbvio ululante.

A menos que…

A polêmica gerada pelas referências de Cássio às origens elitistas dos seus dois correligionários só teria sentido se naquela declaração estiver embutida uma dolosa intenção de promover a queimação de Bruno e Lucas. Afinal, numa campanha política, sobretudo majoritária, carimbar de elitista os candidatos é o mesmo que alertar à esmagadora maioria dos eleitores para o fato de que entre esse projeto político e as aspirações do povo há um enorme fosso.
A grande repercussão das declarações de Cunha Lima também tem a ver com o fato de Cássio se constituir uma figura importante, pelo menos nos limites de Campina Grande. Se fosse um outro qualquer, ficaria o dito pelo não dito.

Derrapada

De qualquer modo, o caráter elitista que Cássio conferiu aos dois candidatos se configura numa constatação infeliz e bastante incômoda para os jovens concorrentes, mesmo que não tenha sido de má fé.

Alguns analistas tanto da imprensa como do círculo da política levantaram celeuma sobre esse episódio por enxergarem na atitude de Cássio Cunha Lima a intenção de queimar os dois candidatos, um deles (Bruno) pertencente a uma banda da família que Cássio não gostaria de ver crescer na política; o outro (Lucas) representante da família Ribeiro que, na contramão do histórico recente de Cássio, que vem acumulando derrotas, só cresce no protagonismo político dentro e fora de Campina Grande e da Paraíba.

Convenhamos: Se fosse Pedro Cunha Lima o candidato a prefeito de Campina Grande, teria o seu pai Cássio lhe apresentado como representante da elite?

Claro que não. Porque Cássio tem maturidade e discernimento suficiente para saber o estrago que é apresentar uma candidatura com carimbo da elite.
E vem daí toda a celeuma…

 

Wellington Farias

PB Agora

Por Wellington Farias

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