A Paraíba o tempo todo  |

Laboratório realiza 4 mil testes do pezinho por mês na PB

CONTEÚDO CONTINUA APÓS PUBLICIDADE

Cerca de quatro mil exames do Teste do Pezinho são realizados mensalmente no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado da Paraíba (Lacen), localizado na Avenida Cruz das Armas, em João Pessoa. O exame é feito desde 1997 e detecta precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas, que poderão causar alterações no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. Para ampliar ainda mais o diagnóstico, até o próximo mês terá início a segunda fase desse exame com o diagnóstico de hemoglobinopatias e doença falciforme, sendo essa última uma espécie de anemia que atinge principalmente a raça negra que geneticamente é mais propensa para o aparecimento desta patologia.

Em todo o Estado funcionam 163 postos de coleta para a realização do exame. O hospital de referência para o tratamento das doenças diagnosticadas no Teste do Pezinho é o Arlinda Marques, também em João Pessoa. A realização dos exames para o diagnóstico de hemoglobinopatias e doença falciforme é uma reivindicação antiga da Associação Paraibana dos Portadores de Doença Falciforme e da Associação das Mulheres Negras da Paraíba. O diretor administrativo do Lacen, Francimar Veloso, explicou que 1 em cada 1,5 mil paraibanos deve ter doença falciforme.

O diretor geral do Lacen, Francisco Wellington Gonçalves Bezerra, explicou que para a implantação desta segunda fase do teste do pezinho, nos dias 17 e 18 deste mês foi realizado em João Pessoa o II Seminário de Avaliação em Triagem Neonatal com a presença de técnicos de 157 municípios paraibanos e representantes do Ministério da Saúde. O evento serviu para fazer um balanço sobre a primeira fase do exame e a discussão em torno da segunda fase.

Modernizar o diagnóstico do teste

Ele explicou que a Secretaria de Saúde do Estado, por meio da Gerência Executiva de Ações Programáticas, Hemocentro e a Gerência de Tecnologia da Informática, em parceria com o Hospital Universitário Lauro Wanderlei e Arlinda Marques, está elaborando um programa de gerenciamento de amostras e laudos, que vai ser padrão em todo o Estado e visa melhorar e modernizar ainda mais a realização e diagnóstico do teste do pezinho.
Segundo Francimar Veloso, a Secretaria já adquiriu os servidores e equipamentos onde os dados passarão a ser armazenados. Depois de implantado, o sistema estará disponível também através da internet para usuários credenciados. “O Lacen dispõe hoje de sete bioquímicos responsáveis pelos laudos dos exames. Numa etapa posterior a Secretaria irá capacitar os enfermeiros e outros profissionais que atuam diretamente nos postos de coleta” disse o diretor administrativo do Lacen.

Laboratório atende aos 223 municípios da Paraíba

De acordo com o diretor do Lacen, o laboratório atende a cerca de 150 pessoas por dia e realiza vários exames dos mais simples a exemplo sumário de urina, parasitológico de fezes e outros feitos a partir do sangue, aos mais complexos como os relacionados ao diagnóstico da AIDS e outras patologias. “Nós também atendemos aos 223 municípios da Paraíba em ações de saúde pública”, assegurou Francisco Wellington.

Ele afirmou que exames que antes demoram até um mês para serem entregues agora ficam prontos em cinco dias. Além dos exames laboratoriais de praxe, o Lacen também realiza exames referentes a saúde do trabalhador e faz análise da água e alimentos.
Todos os meses técnicos e outros profissionais do Lacen são treinados e capacitados nos melhores centros de pesquisas do Brasil com o objetivo de oferecer um serviço da melhor qualidade ao povo paraibano.

Francisco Wellington explica que é o Lacen que coordena, supervisiona e capacita toda a rede pública de laboratório do Estado da Paraíba. E também coordena e atende as demandas das Vigilâncias Epidemiológicas, Ambulatorial e Sanitária.

Somente o laboratório possui equipamentos onde são feito os exames de CD4 e CD8, Carga Viral e Genitopagem, todos para o diagnóstico da AIDS. De acordo com o diretor esses exames não são feitos em nenhum laboratório particular da Paraíba como também de Pernambuco e Rio Grande do Norte. “A intenção da nova administração do Lacen é mostrar para a população a grande importância que o laboratório representa para todos os paraibanos uma vez que ele referência em todo o Estado em ações de saúde pública”, disse o diretor geral.

Para mostrar essa importância ao povo Francisco Wellington adiantou que a nova administração está pleiteando junto ao Governo do Estado a construção de um novo prédio. A área destina a obra é de cinco mil metros quadrados e está localizado em Mangabeira nas proximidades da Academia de Polícia Civil, Acadepol.
O diretor do Lacen disse que a intenção do Ministério da Saúde é transformar o Lacen em um laboratório “ Piloto” e de referência para todo o país e para que isso aconteça o Governo do Estado em parceria com o Governo do Estado vai construir a obra como também equipar, capacitar os profissionais e cuidar de toda a parte logística.

Teste do pezinho é obrigatório por Lei

Para quem não sabe, o teste do pezinho é obrigatório por lei em todo o Brasil e a simples atitude de se realizar o exame faz com que doenças causadoras de seqüelas irreparáveis no desenvolvimento mental e físico da criança sejam detectadas e tratadas mesmo antes do aparecimento dos sintomas. O diagnóstico precoce oferece condições de um tratamento iniciado nas primeiras semanas de vida do bebê, evitando a deficiência mental. A deficiência, uma vez presente no corpo, já não pode ser curada.

Existem diferentes tipos de exames do pezinho. O Sistema Único de Saúde (SUS) instituiu o Programa Nacional de Triagem Neonatal, onde cobre a identificação de até quatro doenças (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística). Mas nem todos os Estados brasileiros realizam os quatro testes.

O Programa Nacional de Triagem Neonatal prevê três fases do teste do pezinho, em que os Estados devem se adequar. A primeira fase detecta as doenças fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito. A segunda inclui a anemia falciforme, e a terceira fase a fibrose cística.
O exame é realizado entre o 3º e o 7º dia de nascimento da criança. Para isso são coletadas amostras de sangue do pé do bebê em papel filtro (específico) e o resultado é entregue num prazo de cinco dias.

Hoje já existe uma versão ampliada do teste do pezinho onde é possível identificar mais de 30 doenças antes que seus sintomas se manifestem. Mas é ainda um recurso sofisticado e bastante caro, não disponível na rede pública de saúde. Mesmo assim, a versão ampliada do teste do pezinho é subdividida. Geralmente, quanto maior o número de doenças detectadas, mais caro é o exame. Existem ainda exames complementares que também podem ser realizados com o sangue do papel filtro do teste do pezinho.

O exame do pezinho é essencial para o desenvolvimento da saúde do seu bebê. Não esqueça que o exame convencional é obrigatório e gratuito. Exija sempre seus direitos e faça com que sejam cumpridos. Não se esqueça de buscar o resultado. Qualquer alteração no resultado, leve para o pediatra examinar.
Não se preocupe se tiver que repetir o exame. O teste do pezinho exige repetição para esclarecer o primeiro resultado, quando suspeito de normalidade ou quando o teste é realizado antes de 48 horas de vida. Um resultado normal, mesmo no teste ampliado, não afasta a possibilidade de outras doenças neurológicas genéticas ou adquiridas. O teste não diagnostica, por exemplo, a síndrome de Down.

A fenilcetonúria é doença causada por falta de uma substância (enzima) que transforma a fenilalanina (aminoácido) em tirosina. Ocorre um acúmulo de fenilalanina que poderá afetar o cérebro e levar à deficiência mental. O nome da doença deve-se ao fato de haver eliminação excessiva de fenilalanina na urina, que fica com um odor semelhante ao do mofo.

As crianças nascem normais, mas à medida que recebem alimentos ricos em fenilalanina, passam a acumulá-la no corpo sem conseguir metabolizá-la. A freqüência desta doença é de 1 caso em cada 10.000 recém-nascidos. A doença é transmitida através dos genes dos pais. Se os pais forem portadores (heterozigotos), existirá uma chance de 25% de terem um filho doente (homozigoto).
 

Secom

CONTEÚDO CONTINUA APÓS PUBLICIDADE
    VEJA TAMBÉM

    Comunicar Erros!

    Preencha o formulário para comunicar à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta matéria do PBAgora.

      Utilizamos ferramentas e serviços de terceiros que utilizam cookies. Essas ferramentas nos ajudam a oferecer uma melhor experiência de navegação no site. Ao clicar no botão “PROSSEGUIR”, ou continuar a visualizar nosso site, você concorda com o uso de cookies em nosso site.
      Total
      0
      Compartilhe