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Ilha de calor: o que é, causas e soluções; veja os bairros mais afetados da capital

Ilha de calor é um fenômeno climático urbano caracterizado pela maior temperatura das cidades em relação às áreas vizinhas, como as zonas rurais. Esse aquecimento se dá em função da maior concentração de materiais como asfalto, concreto e superfícies escurecidas, que absorvem mais calor, da poluição, da atividade antrópica, da ausência de vegetação e corpos d’água, além da impermeabilização do solo. Há, com isso, uma piora na qualidade do ar e da água nas cidades, o que é seguido pela ocorrência de doenças associadas e queda na qualidade de vida nessas áreas. Sobre esse tema os especialistas: o engenheiro agrônomo e diretor de Controle Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de João Pessoa (Semam), Anderson Fontes e o professor biólogo do Departamento de Sistemática e Ecologia da UFPB, Tarcísio Cordeiro, que lembram que João Pessoa cresceu muito nos últimos 20 anos e hoje é possível ter alguma previsão acerca das áreas mais quentes com o auxílio de sensoriamento remoto, fotos aéreas e de satélite, procurando por trechos com menor albedo (Albedo é a capacidade de uma superfície refletir a luz solar, geralmente expressa em porcentagem).

Segundo os especialistas, ilhas de calor pioram a qualidade de vida nas cidades devido à maior poluição do ar e a doenças associadas às elevadas temperaturas e à qualidade do ar e da água; alteram o microclima; e podem prejudicar os ecossistemas aquáticos pela elevação da temperatura das águas. Entre soluções para esse fenômeno, podemos citar a adoção de materiais mais claros e permeáveis nas cidades, de telhados ecológicos ou reflexivos, e a ampliação das áreas verdes.

Causas da ilha de calor – Existe uma série de fatores que interferem na temperatura das cidades e, por conseguinte, na formação das ilhas de calor. O primeiro e talvez principal deles é a grande concentração de elementos compostos de materiais que absorvem mais calor durante o dia e possuem menor capacidade de reflexão, contribuindo para a elevação da temperatura do ar nas suas proximidades. Trata-se aqui do asfalto presente nas ruas, do concreto das calçadas e edifícios, dos tijolos e outros elementos que dispõem de características térmicas similares. A grande emissão de gases poluentes, como por meio de veículos e da atividade industrial, faz com que haja a retenção de calor próximo da superfície, aumentando a temperatura dessas áreas, o que é causado igualmente pelas atividades humanas.

Segundo Anderson Fontes, a região norte pessoense correspondente aos bairros de Manaíra, início do Bessa e Jardim Oceania, que apesar de estarem na orla, apresentam algumas dessas “ilhas de calor”. “Isso vale num mesmo bairro, por exemplo, bairros que tem uma rua mais arborizada, pode ter uma diferença entre um e dois graus”, afirmou.

O engenheiro agrônomo, alerta que os lugares que têm mais árvores, mais espaços abertos, como praças, e menos prédios, tendem a ter a temperatura um pouco mais baixa. “As áreas verdes dos bairros estão desequilibradas em relação a outras áreas da cidade. João Pessoa tem 32% de cobertura vegetal, considerada satisfatória para o total da população”, comentou.

Neste sentido o professor biólogo,Tarcísio Cordeiro, lembrou: “Menor albedo significa maior absorção da luz solar e maior emissão de calor”, disse, destacando ainda que as causas deste fenômeno estão relacionadas a superfície do terreno de um lado e condições meteorológicas do outro. Por exemplo, em um bairro com ruas de asfalto, terrenos impermeabilizados, casas com telhados escuros (de pouco albedo), vai haver sob as mesmas condições de vento e insolação, maior temperatura que um bairro arborizado, pavimentado com paralelepípedos, lotes gramados e arborizados e telhados claros.

Possíveis soluções para a ilha de calor – Com o crescimento das cidades e a expansão do tecido urbano, é inevitável que ocorra a ampliação das superfícies propensas à absorção de calor. Ainda assim, a adoção de algumas medidas pode auxiliar na ocorrência de temperaturas mais amenas nas cidades e na eventual mitigação das ilhas de calor:

  • Plantio de árvores e criação de novos espaços verdes nas cidades, como parques e bosques;
  • Adoção de materiais reflexivos em prédios e edifícios, bem como a utilização de telhados ecológicos (ou telhados verdes), que auxiliam na sensação de maior conforto térmico;
  • Utilização de pavimento permeável;
  • Estratégias que visem à redução da emissão de gases poluentes na atmosfera;
  • Planejamento urbano a fim de aumentar o espaçamento entre novas construções, permitindo o melhor fluxo natural dos ventos;
  • Utilização de cores mais claras nas construções, aumentando, assim, a irradiação de energia.

Da Redação

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