O Governo do Estado, por meio da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), em João Pessoa, promove, na próxima segunda-feira (2), às 9h, o I Curso de Automaquiagem para Mulheres Cegas. O “Beleza Sensorial” vai ser ministrado pelos maquiadores Emanuel Pontes e Rosângela Araújo.

Com 25 vagas gratuitas, o evento vai ser realizado na Coordenadoria de Atendimento à Pessoa com Deficiência Visual (Codavi), situada no 1º andar da Fundação. As inscrições estão abertas pelo WhatsApp (83) 98878-6333 e as alunas devem trazer os seus próprios kits.

“Com base no conhecimento das linhas e desenho do próprio rosto, vamos trabalhar nelas o domínio das técnicas iniciais de maquiagem até que comecem a se sentir seguras no manuseio dos pincéis e paletas”, diz Emanuel, que tem 12 anos de atuação no mercado da beleza. “Para esta primeira edição, vamos dar ênfase à preparação da pele e usar os materiais e pincéis corretamente. Pelo tato e cheiro, as alunas vão aprender a identificar os produtos”, detalha.

A iniciativa dá às mulheres cegas ou com baixa visão a oportunidade de se reinventar por meio da maquiagem. Dina Melo, jornalista e transcritora Braille, pensou no projeto como uma ideia ainda carente de difusão: “A beleza tem um papel transformador na autoestima de homens e mulheres em qualquer fase da vida. E a deficiência visual não lhes retira o direito à vaidade – ainda que a maquiagem tenha um apelo estritamente visual”, considera.

A estudante de Letras Analice Lopes, de 21 anos, começou a perder a visão aos 8, até ficar totalmente cega aos 15. Nunca abriu mão do acessório preferido: o delineador de olhos. “Sou muito vaidosa, desde pequena me maquio. Ando sempre com pó, corretivo, base, lápis e lenços demaquilantes na bolsa”, confessa. “Acho que o papel da maquiagem serve mais para realçar traços do que esconder falhas”, compara. “Mais importante do que acertar a composição de primeira é criar um ambiente de acolhimento entre elas. A maquiagem é uma arte e, para tanto, é preciso paciência para praticar”, orienta Emanuel.

Cores e feminilidade – “Sempre fui uma mulher vaidosa, que gostava de se cuidar, de moda colorida e maquiagem marcada. Quando perdi a visão, me deparei com o estereótipo da mulher cega: a que veste cores neutras, anda de cabeça baixa, cabelos presos e bengala. É como se faltasse na mídia um modelo que soubesse espelhar a nossa feminilidade”, analisa a pedagoga Heloisa Helena Tomaz, cega desde os 41 anos em razão do diabetes. Heloisa, é fã dos batons vermelhos e unhas feitas, mas diz ter dificuldades na hora da maquiagem da pele e olhos.

“Decidi romper com esse estigma e abraçar uma vida colorida mesmo sem enxergar. Isso é parte do bem-viver. Ouvir um ‘Nossa, como você está bonita!’ apaga a ideia de incapacidade que as pessoas têm da gente. Quero estar bem, e a cegueira não me deixou feia. Eu sou linda”, exalta.

PB Agora

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