Por pbagora.com.br

O distanciamento social provocado pelo combate à proliferação do novo coronavírus (SARS-Cov2) tem gerado uma série de mudanças na rotina dos brasileiros. Trabalho passou a ser em Home Office, as compras de mercado e feira para alguns pessoas passaram a ser realizadas por delivery e o entretenimento passou a ser por meio das telas com as inúmeras opções quase que diárias de lives promovidas por artistas do ramo musical. Nessa mudança, quem tinha o costume de tomar aquela cervejinha gelada, um bom vinho e até aquele drink com um mix de frutas no fim de semana, passou a aumentar esse consumo.

O assunto já foi alvo de alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), que publicou o artigo “O álcool não protege contra a covid-19, o acesso deve ser restrito durante o confinamento”. A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) também já manifestou preocupação com o assunto que, segundo Associação de Varejo, teve um aumento na compra de bebidas alcoólicas de 20 a 27% em supermercados do Sul e Sudeste neste período.

O médico clínico do Hapvida em João Pessoa, Carlay Antunes, afirma que alguns fatores contribuem para elevar a busca pelo consumo de álcool nesse período de confinamento. “Com o estresse e a ansiedade causados pela pandemia atual, beber ajuda a bloquear esses sentimentos, tanto cognitiva quanto quimicamente, mascarando as emoções. Obviamente que a bebida alivia em curto prazo, mas trazem malefícios a médio e longo prazo”, pondera.

Carlay Antunes explica que essa adaptação repentina, a qual a sociedade foi imposta devido à propagação do vírus, gera reações humanas normais mais intensas, como o receio e a dúvida pelo futuro. “Essa incerteza faz com que as pessoas se sintam mais angustiadas e o álcool surge como uma ferramenta, gerando uma falsa sensação de bem-estar”, esclarece e complementa: “Estar isolado dentro de um ambiente limitado, como um apartamento, não é tarefa fácil. Devido a isso, o interesse por algo que nos tire da realidade e do bombardeamento de notícias, quase sempre negativas sobre a Covid-19”, pontua.

De acordo o medido do Hapvida, assim como o álcool é reconhecido como causa de diversas complicações sociais ao longo de séculos, o mesmo também é responsável por causas de complicações clínicas. “Por exemplo, a mortalidade por cirrose hepática apresenta correlação direta com o uso de álcool, diminuindo ou aumentando conforme o uso de álcool em vários países, independente do tipo de bebida utilizada”, aponta.

Para além da cirrose hepática, Carlay elenca uma série de complicações clínicas ocasionadas pelo uso abusivo do álcool e que podem atingir diversos órgãos como, por exemplo, fígado, pâncreas, vias aéreas superiores, esôfago, estomago, intestino e coração. “Miocardiopatia dilatada alcoólica, arritmias cardíacas, hipertensão arterial, risco para insuficiência coronariana são algumas doenças que se desenvolvem pelo consumo em excesso de bebidas alcoólicas; pelagra, risco para infecções fúngicas podem atingir a pele; infertilidade masculina e feminina, diminuição de hormônios acarretando impotência sexual e alterações no ciclo menstrual, síndrome alcoólica fetal são patologias que se desenvolvem quando o sistema endócrino é atingido. Podem ser muitos os prejuízos”, afirma o médico.

No que diz respeito à saúde mental, depressão, ansiedade, sintomas psicóticos (como complicações do alcoolismo) são algumas doenças que o médico elenca e lembra: “As doenças psiquiátricas também podem estar correlacionadas com o alcoolismo e serem causa de uso abusivo de álcool”.

Carlay ainda acrescenta que não existe uma quantidade considerada segura para o consumo de bebidas alcoólicas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os efeitos do álcool são influenciados por fatores muito específicos e individuais, como uma vulnerabilidade genética a problemas no fígado ou a dependência, por exemplo”, assegura.

Nesse universo da bebida alcoólica, há ainda quem substitua refeições pelo álcool e nesse sentido o médico explica que “a injúria orgânica pelo uso crônico do álcool também pode ser relacionada à deficiência nutricional, como a deficiência de metionina-colina, importantes na síntese de proteínas, e o déficit de vitaminas, em especial a deficiência das vitaminas do complexo B, importantes na homeostase do organismo humano”, pondera.

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